Uma clínica terapêutica voltada à internação de mulheres com dependência química continua funcionando em Terra Roxa após ser alvo da Operação Aurora, que investiga suspeitas de tortura, sequestro e cárcere privado. Segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), cerca de 72 mulheres estavam internadas no estabelecimento, entre elas pessoas com deficiência.
O gestor e proprietário do local foi preso temporariamente na terça-feira (15). O pai dele também foi preso em flagrante por posse ilegal de armas de fogo e munições, mas foi liberado após pagamento de fiança. As identidades dos investigados não foram divulgadas.
Internações
De acordo com o Ministério Público, há indícios de que muitas mulheres eram mantidas no estabelecimento contra a própria vontade e impedidas de sair.
A promotora Gabriela Hanna Pereira, responsável pelo caso, informou que a investigação recebeu relatos de vítimas que teriam sido levadas à clínica por pessoas não identificadas, sem ordem judicial ou solicitação médica anterior.
O MPPR também apura a existência de um regime disciplinar punitivo, com castigos, suspensão de visitas familiares e trabalho forçado.
Sedação
Outro ponto investigado é o uso forçado de medicamentos sedativos. Segundo o Ministério Público, as substâncias eram chamadas de “danone” dentro do estabelecimento e teriam sido administradas com o objetivo de deixar as internas inconscientes.
Também são investigados relatos de omissão de socorro médico e de ameaças para que as mulheres permanecessem em silêncio durante inspeções realizadas por órgãos de fiscalização.
Clínica segue aberta
Apesar da operação, o estabelecimento não foi interditado e as mulheres permanecem no local.
Segundo o Ministério Público, não havia condições de transferir todas as pacientes para outros estabelecimentos de uma só vez. A retirada deverá ocorrer de forma gradual.
O que diz a clínica
Em nota, a direção informou que está colaborando com as investigações e negou a existência de cárcere privado, práticas desumanizadas ou qualquer conduta fora dos parâmetros legais.
O estabelecimento afirmou que atualmente acolhe cerca de 70 mulheres e que o atendimento é realizado por uma equipe multidisciplinar.
“Hoje acolhemos em média 70 mulheres, oferecendo uma rotina baseada em humanização, amor, carinho, respeito e profissionalismo, com o trabalho de uma equipe multidisciplinar”, informou a clínica.
Operação Aurora
A Operação Aurora foi deflagrada pela Promotoria de Justiça da Comarca de Terra Roxa, com apoio do Núcleo Regional de Umuarama do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Centro de Apoio Técnico à Execução (Caex).
Além das prisões, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em cinco endereços, incluindo a sede do estabelecimento, residências dos investigados, uma propriedade rural e veículos.
A Justiça também autorizou a extração de dados dos dispositivos eletrônicos apreendidos. O material será analisado pelo MPPR para dar continuidade às investigações e apurar a eventual responsabilidade penal dos envolvidos.
As informações são do MPPR e G1 Paraná
Redação Palotina 24 Horas com inf. MPPR e G1 PR
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