Uma equipe da Copel estará em Palotina no dia 2 de setembro para acompanhar de perto os problemas relacionados ao fornecimento de energia elétrica na área rural e os impactos sobre atividades como avicultura e piscicultura. A agenda foi detalhada pelo presidente do Sindicato Rural de Palotina, Edmilson Zabott, durante entrevista ao quadro A Hora do Café, da Clube FM, nesta terça-feira (18).
A visita é resultado de tratativas mantidas pelo Sindicato Rural com a direção da companhia e deverá reunir 12 profissionais, entre técnicos e representantes da área operacional. Além da energia, a entrevista abordou a Reforma Tributária, o prazo para declaração do ITR, novos registros de furtos de cabos na área rural e cursos que estão sendo organizados pelo Sindicato em parceria com o Senar.
Visita técnica
A programação do dia 2 deverá começar na C.Vale, onde serão apresentados dados relacionados aos problemas registrados no fornecimento de energia. Na sequência, a equipe deverá ir a campo para conhecer diferentes etapas da produção de aves e peixes.
A intenção é demonstrar na prática o que acontece dentro das propriedades quando há queda ou oscilação de energia e como uma interrupção pode repercutir desde o campo até a indústria.
“O problema da energia elétrica não é só um problema do produtor rural.”
O presidente do Sindicato destacou que atividades como avicultura e piscicultura dependem diretamente do fornecimento contínuo de energia e que quedas ou oscilações podem provocar perdas nas propriedades e, em situações mais graves, afetar o fluxo de produção que chega à indústria, com reflexos em toda a cadeia produtiva.
No dia seguinte, 3 de setembro, a equipe seguirá para Iporã, onde deverá conhecer demandas de uma região que vem recebendo novos investimentos ligados principalmente à produção de aves. A intenção é reunir também produtores e lideranças da microrregião.
Rede rural
Entre os problemas apontados durante a entrevista estão oscilações de tensão, baixa voltagem em determinados períodos, redes antigas e necessidade de manutenção da vegetação próxima às linhas de distribuição.
O consumo de energia no campo mudou significativamente ao longo das últimas décadas. Propriedades que antes tinham uma demanda pequena passaram a contar com aviários, estruturas de piscicultura, motores, aeradores e outros equipamentos elétricos.
Outro ponto levantado foi a necessidade de o produtor consultar a Copel ainda na fase de planejamento quando pretende instalar estruturas com grande consumo de energia.
Segundo o dirigente, já houve situações em que novos empreendimentos ficaram prontos antes de ser constatado que a rede disponível não tinha capacidade suficiente para atender integralmente à nova demanda.
Trabalho conjunto
Para o Sindicato, a busca por soluções precisa envolver produtores, municípios, Copel, Governo do Estado, cooperativas e empresas ligadas às cadeias produtivas.
A expectativa é que, depois da visita, a companhia possa elaborar um diagnóstico e indicar investimentos e intervenções necessárias nos pontos considerados mais críticos. O presidente ponderou, no entanto, que a modernização da estrutura elétrica rural é um processo de longo prazo.
Furtos de cabos
Outro alerta feito durante a entrevista envolve o furto de cabos e fiação em propriedades rurais.
Produtores voltaram a comunicar casos de furto de fiação em sistemas de energia solar. Durante a entrevista, o presidente do Sindicato também alertou para cabos instalados em pivôs no meio das lavouras, que podem se tornar alvo desse tipo de crime.
A recomendação é que os produtores reforcem câmeras de monitoramento, iluminação e outros mecanismos de vigilância, especialmente em estruturas instaladas mais distantes das residências.
Os cabos utilizados nesses equipamentos têm custo elevado e a reposição pode representar um prejuízo significativo para quem é vítima do furto.
Reforma tributária
A Reforma Tributária também entrou na pauta da entrevista. O Sindicato Rural já realizou uma primeira reunião de orientação e levou profissionais para apresentar aos produtores os principais pontos do processo de transição.
O presidente também participou recentemente, junto com funcionários do Sindicato, de um encontro em Cascavel com profissionais da contabilidade e representantes das Receitas Estadual e Federal.
“Todos nós precisamos nos antecipar para saber onde vamos nos encaixar dentro dessa reforma tributária.”
A principal recomendação neste momento é que produtores conversem com seus contadores e acompanhem as mudanças antes que novas obrigações passem a produzir efeitos.
Oficialmente, 2026 é o ano de testes da CBS e do IBS. A transição continua nos anos seguintes, com substituição gradual dos atuais tributos sobre consumo. O novo modelo estará integralmente vigente em 2033, quando ICMS e ISS serão extintos.
Prazo do ITR
Outro assunto destacado foi a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) 2026.
O prazo começou em 10 de agosto e termina em 30 de setembro. A Receita Federal informa que devem apresentar a declaração pessoas físicas e jurídicas proprietárias, titulares do domínio útil ou possuidoras de imóveis rurais, exceto nos casos de imunidade ou isenção previstos na legislação.
Durante a entrevista, o presidente ressaltou a importância de informar corretamente as características e a utilização da propriedade. Ele também afirmou que Sindicato e Prefeitura definiram os valores de referência da terra nua utilizados no município e que essas informações estão disponíveis aos escritórios de contabilidade e aos produtores.
Novos cursos
O Sindicato Rural também prepara novas capacitações em parceria com o Senar.
Uma delas será destinada à operação de drones utilizados em aplicações agropecuárias. Estão previstas 12 vagas, sem custo aos participantes, com programação inicialmente planejada para os dias 28, 29 e 30 de setembro e 1º de outubro. A confirmação definitiva depende da disponibilidade do instrutor do Senar.
A capacitação é destinada a produtores rurais, filhos de produtores ou funcionários registrados na propriedade. Não é necessário ser associado ao Sindicato Rural para participar.
Operador de retroescavadeira
Outro curso será voltado à operação de retroescavadeira, com oito vagas e previsão de realização entre 5 e 9 de outubro. As inscrições já podem ser realizadas no Sindicato Rural.
O Sindicato também iniciou no Colégio Agrícola uma capacitação em Manejo Integrado de Pragas (MIP) na cultura da soja, voltada à identificação do momento adequado para o controle de pragas e doenças, com foco no uso racional de defensivos e na redução de custos de produção.
Para Edmilson Zabott, capacitação e representação coletiva são caminhos para enfrentar os desafios que surgem no campo. Ao encerrar a entrevista, ele reforçou que questões estruturais, como a energia elétrica, dificilmente são resolvidas individualmente e defendeu a continuidade da mobilização entre produtores, entidades e poder público.
Entrevista concedida ao jornalista Robson Muniz, no programa A Hora do Café, nesta terça-feira (18).
Redação Palotina 24 Horas
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