Palotina chegou a 10 casos confirmados de meningite viral em 2026, segundo a Vigilância em Saúde do município. O número já supera todo o ano passado, quando foram registrados cinco casos de meningite de diferentes tipos.
Em entrevista nesta segunda-feira (13) ao jornalista Robson Muniz, na Clube FM, a enfermeira da Vigilância em Saúde, Maristela Rorato Barbieri, explicou que os dois primeiros casos foram registrados em fevereiro, em crianças sem relação entre si. Já entre o fim de março e o início de abril, outros oito casos foram confirmados, o que elevou o nível de atenção no município.
De acordo com ela, todos os casos confirmados até agora são de meningite viral por enterovírus, sem registro de pacientes em estado grave ou necessidade de internação em UTI.
Situação em Palotina
Segundo Maristela, os casos atingem principalmente crianças. Duas estão na faixa de 1 a 2 anos, e as demais têm entre 5 e 7 anos. Entre os registros, há irmãos e também um caso com possível vínculo por contato próximo, o que segue em investigação epidemiológica.
Apesar do aumento, a Vigilância afirma que não há surto em ambiente escolar neste momento.
“Estamos num momento de atenção. Não é momento de pânico”, afirmou a enfermeira durante a entrevista.
Ela destacou que, embora o cenário exija vigilância, o município não registra novos casos suspeitos desde 2 de abril, o que é considerado um dado positivo. Ainda assim, como este é um período de maior circulação viral, a orientação é manter os cuidados.
Orientação nas escolas
A Vigilância em Saúde também programou uma reunião com diretores das escolas municipais para orientar medidas de prevenção e identificação de sintomas. O encontro, marcado para as 19h desta segunda-feira (13), tem como foco reforçar cuidados como higienização das mãos, evitar compartilhamento de objetos e atenção a sinais suspeitos entre os alunos.
Segundo a equipe, a ação é preventiva e, neste momento, não há surto em ambiente escolar, embora a recomendação seja de atenção por parte de pais e educadores.
O que é meningite
A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por vírus, bactérias e outros agentes.
No caso de Palotina, os registros atuais são de meningite viral, causada por enterovírus. Segundo a Vigilância, esse tipo costuma ter evolução mais benigna do que a meningite bacteriana, que é considerada mais grave e pode exigir medidas imediatas, como uso de antibióticos, bloqueio medicamentoso e internação.
Maristela explicou que a principal diferença entre as formas virais e bacterianas está no agente causador e na evolução clínica.
Tratamento da meningite viral
Como se trata de meningite viral, não há tratamento medicamentoso específico contra o vírus. O atendimento é de suporte, com foco em aliviar sintomas e evitar complicações.
Segundo a enfermeira, esse cuidado inclui:
- hidratação
- controle da febre
- medicação para dor
- conforto do paciente
- isolamento do caso
Ela explicou que muitos pacientes apresentam vômitos persistentes, dor de cabeça e sensibilidade à luz, o que pode exigir maior atenção no acompanhamento.
Sintomas que exigem atenção
A orientação da Vigilância é que pais e responsáveis procurem atendimento médico diante de sintomas como:
- febre persistente
- vômitos frequentes
- dor de cabeça intensa
- irritabilidade, principalmente em crianças pequenas
- sensibilidade à luz
- dificuldade para encostar o queixo no peito, o que pode indicar rigidez de nuca
Nos casos mais graves, especialmente nas meningites bacterianas, o aparecimento de manchas roxas na pele é considerado sinal de alerta imediato.
Transmissão e prevenção
A meningite viral pode ser transmitida de pessoa para pessoa, principalmente por gotículas de saliva. Também pode haver transmissão relacionada à higiene inadequada das mãos e contato com superfícies ou objetos contaminados.
Por isso, a Vigilância orienta:
- lavar as mãos com frequência
- evitar compartilhar copos, garrafas e utensílios
- manter etiqueta respiratória (cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar, preferencialmente com o antebraço ou lenço)
- usar máscara em caso de sintomas respiratórios
- evitar contato próximo com pessoas doentes
A recomendação também vale para escolas e famílias, especialmente em relação ao compartilhamento de objetos entre crianças.
Relação com casos de diarreia
Outro ponto levantado na entrevista é que a Vigilância investiga possível relação entre os casos de meningite viral e o aumento de quadros diarreicos no município.
Segundo Maristela, o enterovírus pode causar diarreia em algumas pessoas e, em outras, atingir as meninges e provocar a inflamação. Por isso, novas análises devem ser feitas para tentar identificar se há ligação entre os episódios.
Vacinação continua sendo essencial
Embora não exista vacina contra esse tipo específico de meningite viral, a enfermeira reforçou que a vacinação é fundamental para prevenir as formas bacterianas, que são mais perigosas.
Ela citou vacinas do calendário infantil e do adolescente que ajudam a proteger contra meningites graves, como:
- meningocócica C
- meningocócica ACWY
- pentavalente
- BCG
A orientação é que pais e responsáveis procurem a unidade de saúde para conferir se a carteira de vacinação está em dia, especialmente no caso de adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que deve receber reforço com a ACWY.
Influenza e outros vírus em circulação
Durante a entrevista, Maristela também reforçou que a campanha de vacinação contra a gripe continua em Palotina e alertou para a circulação simultânea de vários vírus respiratórios.
Segundo ela, a vacina contra influenza segue disponível para os grupos prioritários, e a proteção é importante justamente porque o município entra agora em um período de maior circulação viral.
A enfermeira lembrou ainda que a máscara continua sendo recomendada para pessoas com sintomas respiratórios, como forma de proteger idosos, crianças e outros grupos mais vulneráveis.
Redação Palotina 24 Horas
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