A rede municipal de saúde de Palotina se prepara para iniciar a utilização do teste DNA-HPV, uma nova tecnologia de rastreamento do câncer do colo do útero. A mudança faz parte de uma atualização nacional dos exames oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e foi explicada pelo médico Guilherme Pina durante entrevista ao programa A Hora do Café, da Clube FM, nesta sexta-feira (16).
Segundo o médico, o novo exame permite identificar a presença de tipos do papilomavírus humano (HPV) associados ao desenvolvimento do câncer, antes mesmo do surgimento de alterações nas células do colo do útero. A implantação será gradual e, até a data da entrevista, o município ainda aguardava o recebimento dos primeiros testes.
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Diferentemente do Papanicolau, que identifica alterações celulares, o teste DNA-HPV detecta tipos do vírus associados ao risco de desenvolvimento do câncer do colo do útero. Quando o resultado é negativo, o intervalo recomendado para um novo exame é de cinco anos, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde.
“O novo teste desse preventivo chama DNA-HPV. Ao invés de identificar a célula com alteração, ele identifica se a mulher já tem o vírus no organismo dela.”
Guilherme Pina, médico
Guilherme explicou que a presença do HPV não significa que a mulher tenha câncer ou necessariamente desenvolverá a doença. Um resultado positivo exige avaliação da equipe de saúde para definir o acompanhamento e a necessidade de outros exames.
A implantação ocorrerá por etapas, com prioridade inicial, segundo o médico, para mulheres que nunca realizaram o preventivo ou que estão há mais de três anos sem fazê-lo. O Papanicolau continuará sendo utilizado durante a transição, já que o município deverá receber inicialmente uma quantidade limitada dos novos testes.
O rastreamento do câncer do colo do útero é recomendado para mulheres de 25 a 64 anos, conforme os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Prevenção do câncer de mama
Durante a entrevista, Guilherme também abordou o diagnóstico precoce do câncer de mama e explicou que conhecer o próprio corpo ajuda a perceber alterações que precisam ser investigadas.
Entre os sinais mencionados estão o surgimento de nódulos, mudanças na aparência da pele, alterações nos mamilos e a presença de secreções. O médico ressaltou que nem todo caroço representa câncer, mas que qualquer mudança suspeita merece avaliação profissional.
Ele também esclareceu que a observação e a palpação das mamas não substituem a mamografia, exame capaz de identificar alterações que podem não ser percebidas pelo toque.
No SUS, a recomendação de rastreamento de rotina é a realização de mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Mulheres a partir dos 40 anos também podem ter acesso ao exame, mediante orientação sobre riscos e benefícios. Situações envolvendo histórico familiar ou sintomas exigem avaliação individualizada.
Barreiras à prevenção
Outro tema abordado foi a dificuldade de parte das mulheres em manter os exames preventivos em dia.
Segundo Guilherme, a rotina de trabalho, os cuidados com os filhos, a falta de apoio familiar e o receio de descobrir alguma doença estão entre os fatores que podem levar ao adiamento das consultas.
O médico também destacou os desafios enfrentados no atendimento à população imigrante de Palotina, especialmente devido às diferenças culturais e às barreiras de comunicação. Conforme explicado na entrevista, a rede municipal conta com apoio de tradução em determinadas situações, inclusive durante consultas e visitas domiciliares.
“A prevenção é todo dia, a prevenção não tem mês.”
Giovanni, enfermeiro
O enfermeiro Giovanni ressaltou que a atenção primária tem papel fundamental nesse processo. Nas unidades básicas, os profissionais de enfermagem realizam o acolhimento, orientam as pacientes, coletam exames preventivos e encaminham para avaliação médica quando necessário.
Segundo ele, as equipes também procuram identificar mulheres que estão há vários anos sem realizar exames, para incentivar a retomada do acompanhamento.
Vacinação contra o HPV
O médico Guilherme destacou que a prevenção do câncer do colo do útero também começa com a vacinação contra o HPV.
A vacina é oferecida gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de outros públicos contemplados pelas recomendações do Ministério da Saúde.
Guilherme explicou que a imunização deve ocorrer preferencialmente antes da exposição ao vírus, contribuindo para prevenir infecções associadas a diferentes tipos de câncer.
Durante a entrevista, ele também chamou a atenção para informações equivocadas sobre a vacinação de crianças e adolescentes, esclarecendo que a medida tem finalidade preventiva.
A vacina não substitui o acompanhamento ginecológico e os exames recomendados ao longo da vida.
Kits para exames
A transição para o novo modelo de rastreamento trouxe dificuldades no abastecimento dos materiais utilizados no Papanicolau, segundo o médico.
Para contribuir com a continuidade dos atendimentos, o Rotary Club Palotina Pioneiro doou R$ 1.500 à Secretaria Municipal de Saúde, valor destinado à aquisição de 500 kits para exames preventivos.
A contribuição ajuda a manter as ações do Outubro Rosa enquanto o município se prepara para receber os testes DNA-HPV.
Horários especiais
A Secretaria Municipal de Saúde organizou atendimentos em horários diferenciados ao longo de outubro, incluindo períodos noturnos e sábados, para facilitar o acesso das mulheres que trabalham durante o expediente comercial.
O enfermeiro Giovanni apresentou durante a entrevista a programação das unidades básicas e destacou que a iniciativa busca alcançar principalmente mulheres que não realizam exames preventivos regularmente.
Além dos exames preventivos, as unidades oferecem outros serviços de atenção à saúde, como testes rápidos, atualização da vacinação, consultas e acompanhamento de doenças crônicas.
Quando procurar atendimento
Na parte final da entrevista, Guilherme Pina orientou as mulheres a procurarem avaliação médica diante de alterações nas mamas, nódulos nas axilas, sangramentos ginecológicos fora do habitual, dores durante a relação sexual ou perda de peso sem explicação.
O médico destacou que esses sinais não significam necessariamente a presença de câncer, mas precisam ser investigados para permitir o diagnóstico e o tratamento adequados.
As mulheres podem buscar orientações e agendar atendimentos na unidade básica de saúde de referência. Informações também estão disponíveis na Secretaria Municipal de Saúde, pelo telefone (44) 3649-0200.
Entrevista concedida ao jornalista Robson Muniz em 16/10/2026.
Redação Palotina 24 Horas
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