A Vigilância em Saúde de Palotina confirmou um caso de esporotricose felina no município e reforçou uma série de orientações à população sobre riscos envolvendo escorpiões, morcegos com raiva e acidentes com cobras.
Os alertas foram detalhados pela médica veterinária Laura Barros Bittencourt, em entrevista nesta quarta-feira (16), ao jornalista Robson Muniz, da Clube FM.
Segundo Laura, o caso registrado neste ano envolve um gato resgatado da rua, nas proximidades da Asfuca. Após a notificação, a equipe da Vigilância realizou investigação no entorno do local e não encontrou outros animais ou pessoas com lesões suspeitas.
O que é a esporotricose
A esporotricose é uma micose causada por fungo do gênero Sporothrix, presente no ambiente, especialmente no solo, madeira e matéria vegetal. A infecção ocorre quando o fungo entra na pele por meio de pequenos ferimentos.
Nos últimos anos, os gatos passaram a ter papel importante na transmissão da doença. Eles podem infectar outros animais e também humanos por meio de arranhões e mordidas. Cães também podem contrair e transmitir a esporotricose, embora os casos sejam mais comuns em felinos.
Nas pessoas, a doença costuma causar lesões na pele, principalmente em mãos e antebraços, áreas mais expostas. A lesão pode começar como um nódulo avermelhado e dolorido, semelhante a uma picada de inseto, e evoluir se não houver tratamento.
Casos e alerta em Palotina
Segundo a Vigilância em Saúde, Palotina não tem, até o momento, casos humanos notificados neste ano. Ainda assim, o caso confirmado em animal serve como alerta para evitar a disseminação da doença.
Além do registro atual, o município teve um caso importado em 2025, quando um trabalhador veio de São Paulo com um gato infectado. Outro caso foi registrado em 2021, também em animal resgatado da rua.
Sempre que há confirmação, a Vigilância realiza um raio de investigação no entorno para identificar possíveis novos casos. No episódio mais recente, nenhuma outra ocorrência foi identificada.
Sintomas em animais
Nos gatos, os sinais mais comuns da esporotricose são lesões que não cicatrizam, principalmente no nariz, face, patas, cauda e atrás das orelhas. As feridas podem sangrar e se espalhar pelo corpo.
Também podem ocorrer secreção nasal, espirros e agravamento do quadro sem tratamento adequado.
Laura destacou que a doença tem cura e que o tratamento é disponibilizado pelo SUS, desde que haja avaliação veterinária.
“A esporotricose tem cura e o animal deve ser tratado corretamente. Não há necessidade de eliminação, e práticas como abandono ou medidas sem orientação adequada podem gerar responsabilização”, afirmou.
A orientação vale para gatos e também para cães com lesões persistentes, que devem ser avaliados por um médico-veterinário. Em caso de suspeita, a Vigilância Sanitária deve ser comunicada.
Escorpiões preocupam
Outro ponto de preocupação em Palotina é a presença de escorpiões. Segundo Laura, o município já soma 271 registros até março, com novos casos em abril.
Desse total, 178 foram capturados em buscas ativas realizadas pela Vigilância. Neste ano, até agora, foram registrados 21 acidentes, todos considerados leves.
Apesar disso, as picadas são dolorosas e exigem atendimento médico. Palotina convive com o escorpião-amarelo, espécie de maior importância médica no país.
Os bairros com maior infestação continuam sendo Centro, Santa Terezinha e Coapar, embora ocorrências também tenham sido registradas em outras regiões e distritos.
Como evitar escorpiões
O controle depende principalmente de mudanças no ambiente. A orientação é eliminar entulhos, telhas, lenha e materiais acumulados, além de reduzir a presença de baratas.
Também é recomendado instalar telas em ralos, usar tampas em pias e lavatórios e vedar frestas em portas, já que há registros de entrada de escorpiões pela rede de esgoto.
“O escorpião se cria fora de casa, mas entra se tiver acesso, principalmente em busca de alimento”, explicou.
Alerta no campo
Durante a entrevista, Laura também fez um alerta para trabalhadores da área rural. Palotina registrou dois acidentes recentes com cobras cascavéis, ambos com necessidade de aplicação de soro.
A recomendação é usar equipamentos de proteção, como perneiras, botas e luvas, além de manter o ambiente limpo e com controle de roedores.
Raiva em morcego
Palotina confirmou um morcego com resultado positivo para raiva neste ano. O animal era frugívoro e foi analisado pelo Lacen.
Em 2025, cerca de 50 morcegos foram encaminhados para teste, todos negativos. Já em 2026, dos 13 enviados até agora, um teve diagnóstico positivo.
A principal orientação é manter cães e gatos vacinados anualmente e evitar qualquer contato com morcegos vivos ou mortos.
Se um morcego for encontrado no imóvel, a orientação é cobri-lo com um balde e acionar a Vigilância Sanitária pelo telefone (44) 3649-2793.
Orientação à população
Ao encerrar a entrevista, Laura reforçou a importância da prevenção e pediu atenção com a limpeza dos ambientes, cuidado com os animais e procura por atendimento diante de qualquer suspeita.
A Vigilância em Saúde orienta que, em caso de dúvidas ou suspeitas, a população procure atendimento nas unidades de saúde ou entre em contato pelo telefone (44) 3649-2793.
Redação Palotina 24 Horas
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