A Hora do Café

Palotina atualiza plano de contingência para possíveis impactos do El Niño

Planejamento revisa áreas de atenção, define responsabilidades e organiza a atuação da Prefeitura, da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros em situações de emergência

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Foto: Sarah Pessoa/Palotina 24 Horas

O município de Palotina atualizou o Plano de Contingência que orienta a atuação do município em situações de chuva intensa, vendavais, granizo, alagamentos e outros eventos climáticos severos. O documento define responsabilidades, recursos disponíveis, áreas monitoradas e a forma como os órgãos devem agir diante de uma emergência.

O assunto foi abordado nesta terça-feira (4), durante entrevista ao jornalista Robson Muniz, no programa A Hora do Café, com o comandante do Corpo de Bombeiros de Palotina, tenente Novinski; o coordenador da Defesa Civil, Gybson Fernandes; e o secretário municipal de Administração, Hederson Giacomini.

 

Sem alarmismo

Durante a entrevista, os participantes explicaram que o planejamento recebeu atenção especial diante da possibilidade de episódios mais intensos de chuva, vento e granizo associados ao El Niño.

Segundo o tenente Novinski, o fenômeno costuma provocar, na Região Sul, chuvas mais fortes e concentradas em períodos menores, o que aumenta o risco de alagamentos porque o solo e as galerias pluviais podem não conseguir absorver rapidamente o volume de água.

 

“O nosso intuito aqui não é gerar pavor na comunidade. É levar informação e mostrar o que está sendo feito antes do evento caso aconteça”, afirmou.

O comandante destacou que eventos desse tipo não significam necessariamente chuva contínua durante todo o dia. A preocupação maior está nos temporais rápidos e intensos, acompanhados por rajadas de vento e granizo.

 

“É uma quantidade maior de chuva em um período mais curto. O solo não consegue drenar toda aquela água e, eventualmente, podemos ter pontos de alagamento”, explicou.

Plano atualizado

O Plano de Contingência é revisado todos os anos e não foi criado exclusivamente por causa do El Niño. Neste ano, no entanto, alguns pontos receberam atenção especial devido ao cenário climático previsto para os próximos meses.

De acordo com Gybson Fernandes, o documento funciona como um guia para orientar tudo o que precisa ser feito em uma situação considerada atípica.

 

“O plano contempla o cadastramento de recursos, de pessoal e o direcionamento das ações. Define quem gerencia, quem atua na parte operacional, quem responde pela área administrativa e como funcionará a recuperação”, explicou.

A atualização principal envolveu a revisão dos nomes das pessoas responsáveis por cada setor, além da conferência de equipamentos, possíveis abrigos, veículos, empresas, voluntários e demais recursos que podem ser mobilizados.

Segundo Gybson, os procedimentos e os direcionamentos já estão definidos e o plano encontra-se vigente.

 

“Se hoje tivéssemos uma situação em Palotina, estaríamos preparados para dar a devida resposta à comunidade”, afirmou.

O cadastro também inclui pessoas e empresas que não pertencem ao poder público, como transportadoras e voluntários cadastrados no sistema da Defesa Civil do Paraná, que poderão ser convocados conforme a necessidade.

Hospital Municipal

O Hospital Municipal é considerado o principal ponto de atenção na área urbana. A característica do terreno faz com que a água de ruas e áreas impermeabilizadas próximas seja direcionada para a região da unidade.

Hederson Giacomini afirmou que as obras realizadas anteriormente melhoraram a situação e evitaram a entrada de água nos episódios mais recentes. Mesmo assim, novas medidas estão sendo analisadas para o caso de uma chuva superar os volumes já registrados.

 

“O hospital é o nosso tendão de Aquiles. As forças das águas se concentram na frente da unidade e, por isso, temos essa preocupação”, disse.

Entre as alternativas discutidas está a instalação de barreiras de concreto ou outras estruturas móveis capazes de desviar o curso da água antes que ela alcance o hospital.

Segundo o secretário, a proposta já está sendo tratada com a Secretaria Municipal de Obras, comandada por Cláudia Brunetto Satto, e com a Secretaria de Planejamento.

 

“Estamos tramitando essa parte para deixar tudo regularizado o quanto antes e estarmos preparados caso o fenômeno venha”, afirmou.

Gybson ressaltou que as intervenções já executadas têm funcionado. As novas barreiras seriam uma proteção adicional para uma situação que ultrapassasse os limites das chuvas enfrentadas até agora.

 

“Por enquanto, não estamos tendo mais alagamentos no hospital. O que está sendo discutido é um apoio adicional, caso o volume ultrapasse aquilo que já ocorreu”, explicou.

Áreas monitoradas

Além do Hospital Municipal, o Plano de Contingência mantém áreas de atenção no interior do município.

Uma delas fica entre São Camilo e São Pedro do Piquiri, onde a elevação do nível da água já dificultou o acesso de moradores e até a passagem de veículos do Corpo de Bombeiros.

Outra região monitorada fica próxima à Vila Floresta, onde propriedades e estruturas de criação de animais podem ser afetadas em caso de inundação prolongada.

Segundo Gybson, melhorias realizadas nas estradas e nos acessos já apresentaram resultados positivos, mas os locais continuam cadastrados como áreas de atenção.

 

“Ainda não é possível dizer que deixaram de ser áreas de risco. Precisamos observar o comportamento nos próximos eventos”, afirmou.

A Defesa Civil também pretende percorrer as estradas rurais para verificar as condições de pontes, vegetação e árvores próximas aos acessos.

O plano considera ainda possíveis impactos sobre lavouras, aviários, granjas e propriedades rurais, especialmente em locais onde a elevação de rios possa comprometer pontes e estradas.

Resposta conjunta

Em uma situação de emergência, a ocorrência será administrada de forma conjunta pela Prefeitura, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.

Um comitê será responsável por avaliar os chamados, definir prioridades e direcionar os recursos para os locais considerados mais graves.

Segundo o tenente Novinski, uma das características dos eventos climáticos severos é a ocorrência simultânea de quedas de árvores, destelhamentos, alagamentos e bloqueios de vias.

 

“Temos inúmeras ocorrências ao mesmo tempo. É preciso identificar o que é mais grave e começar a agir pelos pontos mais críticos”, explicou.

O Corpo de Bombeiros ficará responsável principalmente pelas intervenções operacionais, como o corte de árvores, a desobstrução de vias e o atendimento a destelhamentos e outros danos provocados pelo temporal.

O comandante afirmou que a equipe possui capacitação e equipamentos para esse tipo de ocorrência. Caso a demanda ultrapasse a capacidade local, existe um protocolo para solicitar apoio de unidades de municípios vizinhos e de outras instituições.

Prevenção

Os entrevistados reforçaram que as medidas adotadas pelo poder público precisam ser acompanhadas por cuidados dentro das residências e propriedades.

A recomendação é manter calhas e telhados limpos e respeitar o calendário municipal para poda e recolhimento de galhos.

Galhos, folhas, lixo e outros resíduos deixados nas ruas podem ser carregados pela água e bloquear bueiros e galerias pluviais.

O tenente Novinski orientou os moradores a respeitarem o calendário de coleta e evitarem deixar galhos, lixo ou outros resíduos nas ruas, onde poderão ser carregados pela chuva e levados para dentro das galerias.

A administração também fará uma revisão dos bueiros considerados estratégicos, buscando melhorar o escoamento antes do período de maior atenção.

Hederson Giacomini alertou ainda que carros e motocicletas estacionados em frente ao Hospital Municipal podem ser arrastados durante uma chuva torrencial e contribuir para a obstrução do escoamento da água.

Em caso de temporal

Em caso de chuva forte, granizo, raios ou vendaval, a orientação é procurar um local coberto e seguro.

As pessoas não devem permanecer sob árvores. Também não devem tentar atravessar ruas alagadas, seja a pé, de carro ou de motocicleta.

 

“Jamais tente passar. A pessoa não consegue ver como está o fundo da rua, se há um buraco ou se a correnteza ganhou força”, alertou Novinski.

Dentro de casa, equipamentos eletrônicos devem ser retirados das tomadas. O uso de celulares conectados ao carregador durante tempestades também deve ser evitado.

Caso a água entre na residência, a recomendação é desligar o disjuntor geral, desde que seja possível chegar até ele sem entrar em contato com a água ou se colocar em risco.

Gybson Fernandes também pediu que voluntários não realizem intervenções por conta própria.

Segundo ele, mesmo pessoas bem-intencionadas podem se tornar vítimas caso entrem em áreas alagadas, tentem cortar árvores ou façam resgates sem treinamento.

 

“Primeiramente, ligue para o Corpo de Bombeiros. Quem quiser ajudar deve procurar o responsável pela operação e verificar onde essa ajuda pode ser utilizada com segurança”, orientou.

Canais de emergência

O telefone 193 deve ser o principal canal utilizado para comunicar quedas de árvores, destelhamentos, alagamentos, danos em imóveis e outras ocorrências relacionadas a temporais.

Segundo Gybson, centralizar as informações no Corpo de Bombeiros permite que o chamado seja avaliado imediatamente e encaminhado conforme a prioridade.

 

“Se a ocorrência entra por outro canal, ainda será necessário repassar e fazer a triagem. Pelo 193, ela já sai pronta para ser atendida”, explicou.

Como canal alternativo, o Corpo de Bombeiros disponibiliza o telefone (44) 3649-3493, que recebe ligações convencionais e mensagens pelo WhatsApp.

A população também pode se cadastrar gratuitamente para receber alertas da Defesa Civil. Para isso, deve enviar uma mensagem de texto com o CEP da residência para o número 40199.

O Plano de Contingência contempla ainda escolas, creches, unidades de saúde e outros serviços públicos. Dependendo da intensidade do evento, atividades poderão ser temporariamente suspensas até que as condições de segurança sejam restabelecidas.

Redação Palotina 24 Horas
Reprodução permitida desde que seja mantido o crédito ao Palotina 24 Horas.

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