A imprensa brasileira passou a utilizar com frequência a palavra “casta” para definir os privilégios que pequenos grupos ligados ao Estado concedem a si mesmos à custa do orçamento público. O termo remete ao antigo sistema de castas da Índia, estruturado há milhares de anos após a chegada dos povos Arianos, entre 1800 a.C. e 1500 a.C. Originários da região do Cáucaso e da Ásia Central, que dominaram parte do subcontinente indiano. Dessa organização nasceram as principais castas: os Brâmanes, ligados à religião e ao conhecimento; os Xátrias, guerreiros e governantes; os Vaixás, comerciantes e produtores; e os Sudras, destinados ao trabalho braçal. Fora desse sistema ainda ficaram os chamados “intocáveis” ou Dalits, excluídos da vida social. A lógica das castas consolidou privilégios hereditários e uma rígida separação entre aqueles que mandavam e aqueles que apenas serviam.
A comparação com a realidade brasileira surge porque, em muitos casos, um pequeno grupo consegue controlar estruturas do Estado e direcionar parte significativa do orçamento em benefício próprio. São mecanismos que garantem supersalários, benefícios excessivos, aposentadorias diferenciadas e vantagens desconectadas da realidade da maioria da população. Quando parcelas reduzidas concentram recursos públicos, sobra menos espaço para investimentos em infraestrutura, educação, saúde e geração de oportunidades econômicas. O resultado é um país que cresce menos, arrecada mais impostos para sustentar estruturas caras e mantém desigualdades profundas. A ideia de “casta” aparece justamente porque esses privilégios criam barreiras quase intransponíveis entre os que usufruem do sistema e os que apenas o financiam.
É importante lembrar, porém, que essa prática não representa o conjunto do funcionalismo público. A imensa maioria dos servidores brasileiros trabalha com dedicação, recebe salários compatíveis e cumpre papel essencial para o funcionamento da sociedade. São profissionais da educação, saúde, segurança e administração que servem ao público, e não se servem dele. O problema está em uma minoria absoluta que captura privilégios e distorce a imagem de todo o serviço público. Ainda assim, chama atenção o silêncio de muitos diante desses abusos, como se o medo ou a acomodação fossem mais fortes que o compromisso com a justiça e o interesse coletivo. Como disse Martin Luther King Jr.: “O que me espanta não é a maldade dos maus, mas o silêncio dos bons!”.
Foto de capa: Ilustrativa.
(IA/ChatGPT)
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