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A Hora do Café

Janeiro Roxo: diagnóstico precoce da hanseníase evita sequelas e interrompe transmissão, alerta enfermeira

Doença tem cura, tratamento é gratuito pelo SUS e identificação rápida é fundamental para evitar incapacidades permanentes.

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Foto: Sarah Pessoa/Palotina 24 Horas
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A hanseníase, doença antiga que ainda carrega estigmas e desinformação, continua presente em Palotina e exige atenção da população.

Em entrevista ao jornalista Robson Muniz, nesta terça-feira (20), a enfermeira da Vigilância em Saúde, Maristela Barbieri, destacou que o diagnóstico precoce é o principal fator para interromper a transmissão da doença e evitar sequelas graves.

Atualmente, o município acompanha três pacientes em tratamento, e a média histórica é de quatro a cinco novos casos por ano, o que classifica Palotina como área de alta incidência, conforme critérios do Ministério da Saúde.

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A profissional reforça que, apesar dos avanços no tratamento, muitos casos ainda são identificados tardiamente, o que aumenta o risco de complicações irreversíveis.

O que é a hanseníase e como ocorre a transmissão

A hanseníase é uma doença infecciosa causada por um bacilo que atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. A transmissão ocorre pelas gotículas de saliva, eliminadas ao falar, tossir ou espirrar, especialmente em contatos próximos e prolongados, como no convívio domiciliar ou em ambientes fechados.

A doença não é transmitida por aperto de mão, abraço, uso de talheres, copos ou banheiros.

Após o início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a hanseníase, não sendo necessário isolamento social.

Sintomas que exigem atenção da população

Os sinais da hanseníase nem sempre causam dor, o que pode atrasar a procura por atendimento. Entre os principais sintomas estão:

  • manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou acinzentadas na pele;
  • áreas com perda de sensibilidade ao calor e ao frio;
  • diminuição ou ausência de sensibilidade ao toque e à dor;
  • queda de pelos sobre a mancha;
  • ausência de suor na região afetada;
  • dormência, formigamento ou queimaduras frequentes sem dor.

Diagnóstico é clínico e tratamento é feito pelo SUS

O diagnóstico da hanseníase é, principalmente, clínico, realizado por médico a partir da avaliação da pele e dos nervos. Em alguns casos, exames complementares como baciloscopia ou biópsia de pele podem ser solicitados.

O tratamento é feito com antibióticos fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pode durar 6 meses, nos casos mais leves, ou 12 meses ou mais, quando há maior número de lesões ou comprometimento dos nervos.

Durante todo o período, o paciente é acompanhado pelas equipes de saúde.

Avaliação dos contatos e uso da vacina BCG

Quando um caso de hanseníase é confirmado, a Vigilância em Saúde realiza a avaliação de todos os contatos próximos, como moradores da mesma casa e pessoas com convivência frequente.

Foto: Sarah Pessoa / Palotina 24 Horas

“Quando identificamos um paciente com hanseníase, todos os contatos são avaliados. Aqueles que não apresentam a doença são encaminhados para a sala de vacina, onde recebem a BCG, que além de proteger contra a tuberculose, tem efeito protetor contra a hanseníase,” afirmou.

 

Esses contatos são acompanhados anualmente por, no mínimo, cinco anos, para identificar precocemente qualquer sinal da doença.

Diagnóstico tardio pode causar sequelas permanentes

Quando não tratada a tempo, a hanseníase pode evoluir para formas graves, com incapacidades físicas irreversíveis, como:

  • mãos em garra;
  • pé caído;
  • perda de força muscular;
  • dificuldade para caminhar, segurar objetos ou realizar atividades básicas do dia a dia.

Segundo a enfermeira, essas sequelas são preveníveis quando o diagnóstico ocorre de forma precoce.

Janeiro Roxo reforça alerta, mas atenção deve ser o ano todo

Embora o Janeiro Roxo seja o mês de conscientização, Maristela ressalta que a hanseníase não é uma doença sazonal.

 

“O mês serve para lembrar a população e também os profissionais de saúde, mas o trabalho de orientação, busca ativa e diagnóstico precisa acontecer durante todo o ano”, afirma.

Onde procurar atendimento

A porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde. Ao perceber qualquer mancha na pele, com ou sem perda de sensibilidade, a orientação é procurar o posto de saúde mais próximo para avaliação.

Redação Palotina 24 Horas
Reprodução permitida desde que seja mantido o crédito ao Palotina 24 Horas.