Quase 30 anos depois de protagonizar uma mudança histórica na avicultura brasileira, a C.Vale volta a levar inovação ao campo e ampliar a rentabilidade dos associados.
Em 1997, a cooperativa foi pioneira ao adotar a climatização de aviários para a criação comercial de frangos — tecnologia até então restrita a países desenvolvidos. A iniciativa partiu de Alfredo Lang, então com 49 anos, em seu primeiro mandato como presidente da cooperativa.
Agora, 28 anos depois, a C.Vale aposta em mais uma inovação, desta vez na piscicultura: a criação de tilápias em tanques revestidos com geomembrana, material flexível, soldável e resistente à ação do sol. O sistema traz duas vantagens principais em relação ao modelo convencional: redução no consumo de água e aumento expressivo da densidade de peixes por metro quadrado.
Investimento e expansão no interior de Palotina
O associado Moacir Niehues, produtor na Linha São Sebastião, no interior de Palotina (PR), já produz tilápias em 17,5 hectares de lâmina d’água. Após conhecer a nova tecnologia, decidiu ampliar a atividade com a construção de 12 novos tanques de 16 por 250 metros, todos revestidos com geomembrana.
As obras começam em janeiro e devem ser concluídas no segundo semestre de 2026, acrescentando 2,88 hectares à área de criação da propriedade.
Durante o Dia de Campo 2025/26 da C.Vale, Moacir e o filho Guilherme se encontraram com Alfredo Lang e com o gerente do Departamento de Peixes da cooperativa, Paulo Poggere.
Na ocasião, o produtor confirmou um investimento de R$ 7 milhões para implantar o novo sistema, valor que inclui toda a infraestrutura dos tanques e os equipamentos necessários.
Os recursos virão da linha Fiagro-FIDC, operacionalizada pela C.Vale, Fomento Paraná e Sicredi, com juros de 9% ao ano.
Produção deve ultrapassar dois milhões de peixes por ciclo
Desde 2022, Niehues aloja 1,2 milhão de tilápias por ciclo em nove tanques convencionais e afirma que a piscicultura já se mostra mais rentável do que a produção de grãos. Acostumado a analisar números — ele é diretor-executivo (CEO) da Sicredi Vale do Piquiri ABCD PR/SP —, o produtor explica que a decisão de investir na nova tecnologia é puramente matemática.
Com um aumento de apenas 16% na área da piscicultura, a capacidade de alojamento crescerá 72%. Isso porque o novo sistema permite até 30 peixes por metro quadrado, contra apenas sete no método tradicional. Com isso, a produção deve ultrapassar dois milhões de tilápias por ciclo.
Para sustentar a alta densidade de peixes, Moacir vai implantar uma estrutura reforçada de fornecimento de energia elétrica, com duas linhas independentes de geradores, além da rede principal.
A redundância é essencial para garantir a oxigenação contínua da água e evitar riscos em caso de interrupções no fornecimento.
Rentabilidade e sucessão familiar
Ao lado do filho Guilherme, apontado como futuro sucessor na atividade, Moacir faz uma comparação direta: seriam necessários 232 hectares de soja para gerar a mesma renda bruta obtida com apenas 2,88 hectares de tilápias em sistema de alta densidade.

Presidente da C.Vale Alfredo Lang à esquerda com Moacir Niehues. – Foto: C.Vale / Assessoria
Esta é a reportagem de capa da Revista C.Vale, edição novembro/dezembro de 2025.
Acesse a revista clicando aqui.
Redação Palotina 24 Horas com inf. Assessoria
Reprodução permitida desde que seja mantido o crédito ao Palotina 24 Horas