O vereador Hederson Giacomini (Republicanos) afirmou, em entrevista concedida nesta quarta-feira (25), à Clube FM Palotina, que não teve participação na produção ou contratação do jornal que motivou representação da vereadora Nissandra Karsten (PP) no Conselho de Ética da Câmara de Palotina.
Segundo ele, os exemplares publicados em 28 de fevereiro de 2025 foram entregues na Câmara em 10 de março do mesmo ano, endereçados a três vereadores que haviam assinado requerimento pedindo informações sobre horas extras do Executivo. Giacomini sustenta que apenas recebeu o material e o colocou nas bancadas antes da sessão, recolhendo posteriormente.
Ele também confirmou que houve boletim de ocorrência e tramitação no Ministério Público, mas destacou que, segundo ele, o procedimento foi arquivado por decisão da Promotoria e homologado pela Justiça.
Linha do tempo e entrega dos exemplares
De acordo com o vereador, o jornal já teria circulado em outras edições anteriores no município. Ele relata que, após a rejeição de um requerimento sobre horas extras de 2024 — assinado por ele e outros dois parlamentares —, exemplares de uma nova edição chegaram à Câmara.
“Veio um pacote direcionado a mim, outro ao vereador Nico Manfroi e outro ao vereador Filipe. No meu constava que era para distribuir aos demais vereadores”, afirmou.
Giacomini disse que recebeu o pacote pela manhã, colocou os exemplares nas bancadas para a sessão da tarde e, ao verificar o conteúdo posteriormente, recolheu os jornais e os deixou em espaço comum onde ficam outros impressos.
Ele sustenta que não leu a reportagem antes de distribuir e que não é autor da matéria.
Arquivamento no Ministério Público
O vereador confirmou que foi alvo de boletim de ocorrência e que o caso tramitou como termo circunstanciado.
Segundo ele, a promotoria entendeu não haver justa causa para ação penal por ausência de indícios de injúria ou difamação. A decisão foi posteriormente homologada pelo Judiciário.
“A Justiça analisou todos esses fatos. A promotora de Justiça que pegou o caso pediu defesa, eu fiz minha defesa com advogados e ela acabou pedindo o arquivamento por não existir mácula da minha pessoa, não existir iniciativa de injúria ou difamação por simplesmente o jornal ter sido colocado dentro do espaço institucional da Câmara de Vereadores. Depois foi para o juiz, que também procedeu o arquivamento. Então, pela Justiça, não teve mácula da minha parte por eu não ser responsável pela matéria.”
Ele ressaltou que, segundo ele, não é investigado na apuração que segue em relação à autoria e eventual contratação da publicação.
Conselho de Ética e possível “leitura política”
Mesmo com o arquivamento na esfera criminal, Giacomini agora responde à representação no Conselho de Ética da Câmara, onde a vereadora solicita aplicação de censura.
O parlamentar afirmou que enfrentará o processo, mas avalia que a decisão pode ter viés político.
“O Conselho é formado por vereadores. São agentes políticos. Pode haver leitura política, sim”, declarou.
Ele também mencionou a composição da comissão e observou que dois dos três integrantes seriam de grupo político diferente do seu.
Violência política de gênero
Questionado sobre a fala da vereadora de que o episódio poderia se inserir em contexto de violência política de gênero, Giacomini negou qualquer conduta ofensiva.
“Eu quero deixar aqui na rádio, para todos os ouvintes, declarado que eu não sou contra mulheres. Eu tenho três filhas, tenho esposa, tenho mãe, tenho irmã, tenho cunhadas, e isso não faz com que esse fato me direcione como alguém contra as mulheres. Eu não tenho nenhuma palavra, nenhuma agressão minha contra qualquer uma das mulheres dentro da Câmara e em nenhum local.”
Questionado sobre onde termina o embate político e começa a violência contra a mulher, respondeu:
“A violência contra a mulher ou política de gênero, ela tem que ter fatos, tem que ter provas. A agressão à mulher, até no nosso Código de Ética, fala que tem que ser física ou verbal. Então assim, tem que ter realmente comprovado que teve essa agressão. Eu acho que hoje o que está acontecendo ali está indo no campo político mesmo.”
Ele disse respeitar as colegas parlamentares e declarou que não há histórico de ataques pessoais.
Denúncia sobre gravação com arma na Câmara
Durante a entrevista, o vereador também confirmou que protocolou denúncia no Ministério Público envolvendo a gravação de vídeos dentro da Câmara Municipal com a presença de uma arma.
Segundo ele, as imagens teriam sido registradas em 30 de janeiro deste ano durante gravação de conteúdo humorístico nas dependências do Legislativo.
Giacomini afirma que recebeu o material de um munícipe e que, orientado por advogados, formalizou a denúncia por entender que poderia incorrer em prevaricação caso não o fizesse.
A representação foi rejeitada pelo plenário da Câmara por quatro votos a três e não teve prosseguimento interno. Mesmo assim, o vereador confirmou que encaminhou o caso ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas.
“O espaço da Câmara é institucional. Não é palco para esse tipo de situação”, declarou.
Ele disse que a apuração deverá esclarecer se houve irregularidade e se a arma era real ou simulacro.
Duplicação na saída para Francisco Alves
O vereador também comentou a situação da obra de duplicação na saída para Francisco Alves, afirmando que a via deveria ser “cartão postal”, mas que apresenta problemas estruturais.
Segundo ele, técnicos da Prefeitura teriam apontado irregularidades durante a execução da obra e recomendado paralisação, mas a intervenção teria continuado.
Giacomini destacou que o contrato é financiado no valor aproximado de R$ 7 milhões e que o município segue pagando parcelas.
Ele afirmou que aguarda a conclusão de perícia judicial para definição de responsabilidades.
Vale-alimentação e posicionamento
Questionado sobre a votação que derrubou veto do Executivo ao vale-alimentação para vereadores, Giacomini disse que votou a favor do veto e renunciou formalmente ao benefício.
“Eu sou contra e falei nas sessões da Câmara. Aprovar o auxílio alimentação para vereadores é legislar em causa própria. Por mais que o nosso Tribunal de Contas do Estado autorize essa prática, tem vários e inúmeros tribunais de contas pelo Brasil e de outros estados que não aprovam.
Quando a gente cria um benefício para que eu possa usufruir, eu estou legislando em causa própria. Isso é ilegal. É imoral também.
Então, no momento que derrubaram o veto do prefeito, eu já estava com o meu documento pronto e protocolei logo depois da sessão, renunciando a esse benefício.
Durante o meu mandato, não irei receber. Já está sacramentada essa parte.”
Clima na Câmara
Sobre o ambiente interno após os episódios recentes, o vereador reconheceu que o clima não é “gostoso”, mas afirmou que os trabalhos legislativos seguem normalmente e que não acredita em prejuízo à votação de projetos.
Ele finalizou dizendo que está à disposição da população para esclarecimentos e que continuará exercendo o mandato e a profissão de representante comercial.
Direito de resposta
A reportagem é baseada em entrevista concedida pelo vereador Hederson Giacomini à Clube FM Palotina na manhã desta quarta-feira (25).
A vereadora Nissandra Karsten já se manifestou sobre o caso em entrevista anterior.
Caso haja novos desdobramentos ou manifestações das partes citadas, o espaço permanece aberto.
Redação Palotina 24 Horas
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