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Prefeitura de Palotina
A Hora do Café

Delegado detalha investigação de maus-tratos a criança e suspeita de tortura

Em entrevista ao A Hora do Café, Laécio Rodrigues também abordou o combate ao tráfico de drogas, a atuação da rede de proteção e a segurança no segundo turno das eleições

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Foto: Clube FM

O delegado da Polícia Civil de Palotina, Laécio Rodrigues, apresentou detalhes da investigação envolvendo uma criança de dois anos, cujo padrasto foi preso em flagrante e autuado por maus-tratos na terça-feira (20). Em entrevista ao programa A Hora do Café, da Clube FM, ele explicou as diligências realizadas, os depoimentos colhidos e a apuração da possível ocorrência de tortura-castigo.

Segundo o delegado, o caso chegou ao conhecimento das autoridades depois que profissionais de uma unidade de educação infantil identificaram lesões na criança e acionaram a rede de proteção. A Polícia Civil ouviu integrantes da comunidade escolar, além do motorista e da monitora do transporte escolar. O padrasto negou ter provocado os ferimentos, mas, conforme Laécio, os elementos reunidos durante as primeiras diligências motivaram a autuação em flagrante por maus-tratos.

Perícia e investigação

Laécio relatou que ouviu, segundo sua estimativa, mais de dez pessoas durante as primeiras diligências. A polícia busca esclarecer as circunstâncias em que ocorreram os ferimentos, considerando os depoimentos e os demais elementos da investigação.

A criança foi encaminhada a Toledo para exames médico-legais. O delegado afirmou que as lesões observadas despertaram suspeitas de agressão, mas ressaltou que cabe à perícia oficial avaliar tecnicamente a natureza dos ferimentos.

O resultado dos exames poderá contribuir para o andamento da investigação e a definição do enquadramento criminal. O padrasto foi autuado inicialmente por maus-tratos, enquanto a Polícia Civil também apura a hipótese de tortura-castigo, crime que prevê punição mais rigorosa.

Outro ponto mencionado na entrevista foi um episódio ocorrido cerca de 20 dias antes, quando a criança teria apresentado um corte no queixo que precisou de pontos. Segundo Laécio, foram identificadas divergências nas explicações apresentadas naquela ocasião. As circunstâncias desse ferimento anterior também são consideradas na investigação, sem conclusão sobre sua origem.

Questionado sobre a situação da vítima, o delegado afirmou que, naquele momento, a criança estava em segurança. Ele também confirmou o acionamento da rede de proteção.

Escola e rede de proteção

Durante a entrevista, Laécio destacou a importância da atenção dos profissionais da educação e da comunicação de situações suspeitas aos órgãos responsáveis.

O delegado explicou que casos de violência contra crianças podem ocorrer sem a presença de testemunhas, dificultando a identificação. Por isso, sinais percebidos em escolas, unidades de saúde e outros ambientes frequentados pelas vítimas podem ser importantes para que as autoridades tomem conhecimento dos fatos.

“Se, porventura, essa criança chega na escola sem nenhum tipo de hematomas, ou lesões visíveis, ia passar despercebido.”

Laécio Rodrigues, delegado da Polícia Civil

O delegado também abordou a participação do Conselho Tutelar, do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), da assistência social, do Ministério Público e do Judiciário no acompanhamento de ocorrências envolvendo crianças e adolescentes.

Segundo Laécio, embora existam outras investigações relacionadas à violência contra menores de idade, casos com características semelhantes às da ocorrência recente não são habituais entre os atendimentos da delegacia.

Durante a conversa, foi citado o lançamento recente de um protocolo integrado de atendimento a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência em Palotina.

Laécio explicou que um dos objetivos da atuação conjunta é evitar que as vítimas precisem relatar repetidamente as situações vivenciadas. A escuta especializada, realizada por órgãos da rede de proteção, e o depoimento especial, conduzido perante autoridade policial ou judiciária, seguem procedimentos destinados a proteger as vítimas e evitar a repetição desnecessária dos relatos.

O delegado orientou que a população comunique situações suspeitas de violência aos órgãos responsáveis. As informações podem ser encaminhadas às polícias Civil e Militar, ao Conselho Tutelar ou aos serviços da rede de proteção, inclusive por canais de denúncia anônima.

Operação Código Aberto

Outro assunto abordado foi a Operação Código Aberto, realizada em 16 de outubro pelas polícias Civil e Militar, que resultou em quatro prisões durante uma ação de combate ao tráfico de drogas em Palotina.

Laécio explicou que o trabalho foi desenvolvido a partir de investigações anteriores, informações obtidas em prisões em flagrante, denúncias da população e análise de aparelhos celulares apreendidos.

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Segundo ele, o nome da operação está relacionado ao trabalho de análise do conteúdo desses aparelhos, utilizado para identificar possíveis envolvidos e movimentações associadas à comercialização de entorpecentes.

Integração entre as polícias

A atuação conjunta das forças de segurança também foi discutida durante a entrevista.

Laécio ressaltou que a troca de informações entre a Polícia Civil e a Polícia Militar permite direcionar melhor as ações e identificar pessoas investigadas por diferentes ocorrências.

Segundo o delegado, essa cooperação é especialmente importante diante das limitações de efetivo das instituições. O compartilhamento de informações ajuda a evitar esforços isolados e permite que as equipes atuem de maneira coordenada.

Ele citou o trabalho da companhia da Polícia Militar em Palotina e explicou que informações obtidas em abordagens e prisões realizadas pelos policiais militares frequentemente contribuem para o avanço de investigações conduzidas pela Polícia Civil.

Segundo turno das eleições

Na parte final da entrevista, o delegado falou sobre o planejamento das forças de segurança para o segundo turno das eleições, marcado para domingo (25).

Segundo Laécio, o primeiro turno transcorreu de forma tranquila durante o acompanhamento realizado pelas equipes policiais, sem registro de ocorrências policiais relacionadas à votação. Ele relatou que a Polícia Civil atuou em conjunto com a Justiça Eleitoral, acompanhando os locais de votação.

O delegado mencionou problemas no fornecimento de energia em locais como São Camilo, Maripá e Pérola Independente, situações em que foram utilizados geradores para permitir a continuidade da votação.

Para o segundo turno, a preocupação das forças de segurança envolve tanto o período de votação quanto as comemorações após a divulgação dos resultados.

Laécio informou que o planejamento inclui contato entre a Polícia Civil, a Polícia Militar e a Justiça Eleitoral, com acompanhamento das atividades desde as primeiras horas do domingo.

Uma das principais orientações é evitar discussões e confrontos motivados por divergências políticas. O delegado também alertou para os riscos do consumo excessivo de bebidas alcoólicas durante as comemorações.

“Digamos que ganhe um lado ou outro, respeite as urnas, respeite principalmente as pessoas.”

Laécio Rodrigues, delegado da Polícia Civil

Laécio ressaltou que os eleitores podem comemorar os resultados, desde que respeitem a legislação e a segurança das demais pessoas. Segundo ele, as forças policiais estarão preparadas para intervir caso ocorram excessos ou situações que coloquem a ordem pública em risco.

Entrevista concedida ao jornalista Robson Muniz em 21/10/2026.

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Redação Palotina 24 Horas
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