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Da República Romana às urnas modernas: o que mudou na política?

Durante a República Romana (509 a.C.–27 a.C.), os senadores não eram eleitos diretamente pelo povo para o Senado. O Senado era composto, em grande parte, por ex-magistrados — homens que haviam sido escolhidos para cargos públicos pelos cidadãos e, posteriormente, admitidos ao Senado pelos censores. Na prática, tratava-se de um sistema profundamente aristocrático, no qual prestígio familiar, riqueza, influência política e alianças pessoais tinham peso decisivo na ascensão ao poder. Embora houvesse participação popular na escolha de magistrados, o acesso às posições de maior influência permanecia concentrado em uma elite política.

Após um longo período que atravessou por toda a Idade Média e a Idade Moderna, com as Monarquias absolutistas, foi somente na contemporaneidade, especialmente sob a influência das ideias iluministas e da consolidação do Estados em repúblicas com poderes divididos em três, liberais e democráticas, que o princípio de, os governados escolherem seus governantes se tornou a regra nas democracias ocidentais. O sufrágio, inicialmente restrito e posteriormente ampliado, consolidou-se como um dos pilares da legitimidade política. Ainda assim, apesar da profunda transformação institucional, muitos observadores apontam que os mecanismos de ascensão ao poder preservam traços antigos: alianças estratégicas, redes de influência, capacidade de mobilização, recursos financeiros e projeção pública continuam exercendo papel determinante nas disputas eleitorais, lembrando, em certa medida, a lógica das elites da Roma republicana.

Segundo diversos comentaristas políticos, a eleição deste ano tende a ser uma das mais pobres em termos de renovação e debate de ideias das últimas décadas. Predomina a percepção de uma disputa marcada pela repetição de nomes já conhecidos, pela polarização entre dois grandes campos políticos e pela escassez de discussões consistentes sobre projetos de longo prazo para o Brasil. Nesse cenário, ataques pessoais frequentemente ocupam mais espaço do que propostas concretas, enquanto referências ideológicas são, muitas vezes, utilizadas mais como instrumento de confronto do que como expressão de programas efetivamente defendidos pelos próprios candidatos. Para esses analistas, o resultado é uma campanha que desperta poucas expectativas de mudanças significativas e reduz o espaço para um debate qualificado sobre os desafios nacionais. Logo, a pergunta acima, inserida no titulo deste artigo tem uma resposta. Ela pode ser resumida na frase da música o “O tempo não para” do músico Cazuza: “Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades”.

Imagem de capa: Ilustrativa/Palotina 24 Horas

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