Três alunas do 9º ano de São Camilo, em Palotina, conquistaram o 2º lugar em uma feira de ciências na UTFPR de Toledo com sabão feito de óleo de cozinha usado.
O projeto Eco-óleo foi apresentado por Kemily, Eva e Vitória, do Colégio Estadual do Campo Eugênio Garmatz, entre 77 trabalhos e teve orientação do professor de Geografia Rafael Milack, que levou ao todo seis projetos ao evento.
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A equipe foi à feira da UTFPR sem esperar premiação, como relataram as alunas e o professor em entrevista ao programa A Hora do Café, da Clube FM 99.3. O resultado veio como surpresa e abriu a expectativa de participar de outras feiras.
“A gente não foi em busca de ser premiada, a gente foi mais para participar.”
Kemily, aluna
Os 77 projetos foram avaliados por profissionais da própria instituição. O professor acredita que a sustentabilidade do trabalho e a apresentação das estudantes pesaram no resultado. As alunas explicaram aos avaliadores como o sabão foi feito e todas as etapas do processo.
Dos seis projetos levados pelo professor, quatro eram do ensino fundamental e dois do ensino médio. O Eco-óleo rendeu troféu de segundo lugar, medalhas, certificado e um kit com bolsa, caneta e caderneta. Foi a primeira participação das alunas em um evento do tipo.
Para o professor, todos os 77 trabalhos podem ser considerados vitoriosos, porque passaram por uma seleção para estar na feira. Direção, colegas e familiares parabenizaram as estudantes pelo resultado.
Projeto Ecoóleo
O Eco-óleo usa óleo de cozinha usado como matéria-prima. Misturado à soda cáustica, o óleo passa por um processo de saponificação, que resulta no sabão.
Como a soda é muito corrosiva, a produção exige atenção constante, materiais de segurança e supervisão de adultos. Clarice, da equipe da escola, acompanhou as alunas nessa etapa.
O grupo produziu três tipos: sabão com limão, sabão de soda e sabão líquido, cada aluna responsável por um deles. As estudantes consideram o processo simples, desde que se respeitem as quantidades indicadas, e o professor lembra que é possível fazer o sabão em casa.
Descarte incorreto
A ideia surgiu da pesquisa das alunas, que observaram muito descarte incorreto de óleo no local onde moram. Segundo elas, o óleo prejudica rios e solo e pode matar animais da vida aquática.
O reaproveitamento, para o professor, é o caminho correto, e o objetivo do projeto é conscientizar as pessoas a não descartar o óleo, já que ele pode ser reutilizado. O professor avalia que a rotina mais corrida das famílias contribuiu para afastar as pessoas desse hábito.
Colégio integral
O projeto uniu Geografia, que trabalha o meio ambiente, e Empreendedorismo, uma das disciplinas do colégio de tempo integral, que também tem Projeto de Vida. O professor apresentou o problema e a sugestão, e as alunas fizeram a pesquisa. A preparação durou cerca de duas semanas e meia, com apoio da direção, da equipe pedagógica e dos funcionários da limpeza.
A viagem incluiu uma visita à escola Atílio Fontana, outra unidade de tempo integral, onde o grupo almoçou, e o contato com participantes de cidades como Cascavel e Maringá.
“O que eu mais vejo e o que eu mais quero é que eles vão para a frente, que eles não fiquem parados.”
Rafael Milack, professor de Geografia
Ele também defende que a escola vá além das disciplinas tradicionais: “A escola não é só ficar aprendendo português, matemática, história, geografia, ciências. Vai também a parte da pesquisa, porque a escola é pesquisa também, a escola é ciência”.
Alunos mais retraídos são incluídos sem pressão, segundo o professor. O colégio oferece disciplinas eletivas às sextas-feiras, com projetos em áreas de interesse dos estudantes, e faz atividades diárias de acolhimento.
A escola também atende alunos com autismo e déficit de atenção. A avaliação é adaptada à dificuldade de cada um, porque, na avaliação do professor, não há como cobrar o que o aluno não consegue. Ele reconhece que a inclusão é um desafio diário e que tende a crescer.
Próximos passos
As alunas pretendem ampliar a conscientização entre moradores de São Camilo e levar o assunto à própria escola. Também consideram produzir sabão em pó com óleo, receita que o avô de uma delas sabe fazer.
O professor vê possibilidade de o projeto evoluir para o empreendedorismo, com a venda de barras de sabão e de sabão líquido, e de a escola produzir sabão para a limpeza do prédio. As três estudantes pretendem seguir para a medicina veterinária, e uma delas cita também a zootecnia.
Não há novo evento programado, segundo o professor. O trabalho, que até então não valia nota, passará a ser avaliado e receberá pontuação.
Entrevista concedida ao jornalista Robson Muniz em 08/10/2026.
Redação Palotina 24 Horas
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