A poucos dias do primeiro turno das Eleições 2026, a promotora de Justiça Cristiane Aparecida Ramos esclareceu dúvidas dos eleitores sobre a votação deste domingo (4), durante entrevista ao A Hora do Café, da Clube FM. O primeiro turno ocorre das 8h às 17h.
Durante a conversa, foram abordadas desde regras sobre manifestações políticas e uso do celular até situações de assédio eleitoral, funcionamento do comércio, segurança das urnas e a forma correta de registrar os dois votos para senador.
Participação eleitoral
Cristiane iniciou a entrevista chamando a atenção para a importância do comparecimento às urnas. Segundo ela, a abstenção reduz a participação do eleitorado na definição dos representantes e faz com que outras pessoas decidam por quem não comparece.
A promotora também lembrou que votar em branco ou anular o voto é um direito do eleitor, mas destacou a importância de conhecer os candidatos e fazer uma escolha consciente.
“Temos que fazer as nossas escolhas dentre as escolhas que a gente tem”, afirmou durante a entrevista.
O voto é obrigatório para pessoas alfabetizadas com idade entre 18 e 69 anos. Para jovens de 16 e 17 anos, pessoas analfabetas e quem tem 70 anos ou mais, a participação é facultativa.
Manifestação silenciosa
Uma das principais dúvidas tratadas foi sobre o que o eleitor pode usar no domingo para demonstrar apoio a determinado candidato.
A legislação permite manifestação individual e silenciosa da preferência política. Camisetas, broches, adesivos e outros elementos podem ser utilizados pelo eleitor, desde que não haja manifestação coletiva, abordagem de outras pessoas ou tentativa de convencimento.
Pelas regras oficiais do TSE, também é permitido portar bandeira de forma individual e silenciosa. O que não pode ocorrer é aglomeração ou manifestação coletiva com esses elementos.
Carros adesivados
Cristiane também respondeu a uma dúvida frequente envolvendo veículos com propaganda eleitoral.
Segundo a promotora, quem utiliza normalmente um carro adesivado pode ir ao local de votação, estacionar, votar e sair sem que isso, por si só, configure irregularidade.
A situação muda, segundo ela, quando o veículo é colocado de forma estratégica próximo a um colégio eleitoral com a finalidade de permanecer exposto durante a votação.
“Se a pessoa estrategicamente, já de manhã, pega o seu carro adesivado e coloca em frente, muito próximo de um colégio de votação, é lógico que vai configurar propaganda”, explicou.
Propaganda proibida
No domingo, a propaganda eleitoral é proibida. A regra alcança a abordagem de eleitores, pedido de votos, distribuição de materiais e a chamada boca de urna.
Cristiane explicou que até mesmo o pedido verbal de voto pode caracterizar boca de urna. Distribuição de santinhos ou outros materiais amplia a irregularidade.
A promotora lembrou ainda dos casos conhecidos como “derrame de santinhos”, quando grande quantidade de material eleitoral é espalhada nas proximidades de locais de votação durante a madrugada. Segundo ela, Palotina não registra esse problema há vários anos.
A legislação também proíbe o derrame de material de propaganda no local de votação ou nas vias próximas, mesmo quando realizado na véspera.
Redes sociais
As regras também alcançam a internet no dia da eleição.
Cristiane explicou que o eleitor precisa ter cuidado com manifestações de caráter eleitoral publicadas no domingo. A regulamentação do TSE proíbe a publicação de novos conteúdos de propaganda eleitoral e o impulsionamento de publicações no dia da votação.
Conteúdos publicados anteriormente podem permanecer disponíveis, desde que não sejam impulsionados.
Durante a entrevista, a promotora ressaltou que irregularidades praticadas pelo próprio eleitor nas redes sociais também podem gerar responsabilização.
Celular proibido
Outro ponto reforçado foi o uso do celular na seção eleitoral.
O aparelho não pode ser levado para dentro da cabine de votação. Cristiane explicou que o eleitor deve deixá-lo antes de se dirigir à urna, seja no local definido pela mesa receptora ou com uma pessoa de confiança que o acompanhe.
A medida existe para preservar o sigilo do voto e impedir registros da tela da urna. O TSE informa que quem se recusar a entregar o aparelho antes de entrar na cabine não poderá votar enquanto não cumprir a orientação.
Segundo Cristiane, eventual descumprimento também pode ser registrado na ata da seção para posterior adoção das providências cabíveis.
Urnas preparadas
A promotora informou que a preparação das urnas utilizadas na região já estava em andamento desde a semana anterior à entrevista, com a geração das mídias e a lacração dos equipamentos.
Cristiane destacou que esses procedimentos são públicos e podem ser acompanhados por representantes interessados, embora, segundo ela, seja comum haver pouca participação durante essas etapas.
Durante a entrevista, ela também abordou questionamentos sobre a segurança do sistema eletrônico de votação. Cristiane afirmou que não há, até o momento, fraude comprovada no sistema eleitoral brasileiro e destacou que os procedimentos de preparação das urnas são públicos e podem ser acompanhados.
Mesários protegidos
Cristiane fez ainda um alerta sobre o tratamento dispensado aos profissionais convocados para trabalhar no domingo.
Presidentes de seção, mesários, secretários e demais pessoas convocadas pela Justiça Eleitoral exercem função pública durante a votação.
Segundo a promotora, agressões, desrespeito ou desacato contra quem está exercendo essa função podem gerar responsabilização.
“Naquele dia o cidadão está como se ele fosse uma extensão da nossa Justiça”, explicou.
Assédio eleitoral
A entrevista também abordou o assédio eleitoral, especialmente no ambiente de trabalho.
Cristiane explicou que empregadores, superiores hierárquicos ou outras pessoas não podem pressionar, ameaçar ou constranger alguém para votar em determinado candidato.
“O direito a voto é sigiloso, é secreto”, afirmou.
Segundo a promotora, situações desse tipo devem ser denunciadas ao Ministério Público ou à Justiça Eleitoral. Ela observou que muitas vítimas deixam de procurar as autoridades por receio de consequências no trabalho.
O Ministério Público do Trabalho também classifica como assédio eleitoral práticas de pressão, ameaça, constrangimento ou promessa de vantagem destinadas a interferir na liberdade de escolha dos trabalhadores.
Plantão eleitoral
A Justiça Eleitoral permanecerá em atividade durante todo o domingo.
Cristiane informou que ela e o juiz Luiz Fernando Montini estarão de plantão e deverão circular pelos locais de votação de Palotina, Maripá e Nova Santa Rosa, acompanhando o andamento do processo eleitoral.
Segundo a promotora, quem presenciar alguma irregularidade poderá procurar a Justiça Eleitoral para fazer a comunicação.
O TRE-PR estabeleceu plantão nos cartórios eleitorais das 7h às 17h no dia da eleição.
Boatos eleitorais
Outra parte da entrevista foi dedicada a dúvidas e informações falsas que circulam principalmente pelas redes sociais.
Uma delas afirma que votar em branco ou anular o voto para determinado cargo poderia invalidar o voto dado para presidente. A informação é falsa.
Cada escolha é registrada separadamente. O eleitor pode, por exemplo, anular o voto para um cargo e votar validamente em outro. Votos brancos ou nulos também não anulam a eleição.
Cristiane também comentou boatos relacionados à possibilidade de inteligência artificial ou invasões pela internet alterarem votos.
Durante a entrevista, ela lembrou que a urna utilizada para receber os votos não depende de conexão com a internet durante a votação e que, ao final, é emitido o boletim com o resultado daquela seção.
A Justiça Eleitoral mantém ainda procedimentos de auditoria nos quais urnas são testadas publicamente e os resultados são comparados com registros realizados em cédulas de papel.
Dois senadores
Neste ano, o eleitor terá seis escolhas na urna: deputado federal, deputado estadual, senador na primeira vaga, senador na segunda vaga, governador e presidente da República.
Uma das dúvidas explicadas por Cristiane foi justamente a eleição para o Senado, já que cada eleitor escolherá dois nomes.
Segundo ela, não há diferença de valor entre a primeira e a segunda vaga. Se duas pessoas votarem no mesmo candidato, uma na primeira posição e outra na segunda, os votos terão a mesma validade.
O que não é possível é o mesmo eleitor votar duas vezes no mesmo candidato. Nesse caso, o segundo voto é anulado.
O TSE confirma que os dois votos devem ser destinados a candidatos diferentes.
Lei seca
No encerramento da entrevista, Cristiane também falou sobre o funcionamento do comércio no domingo.
Segundo a promotora, os estabelecimentos podem funcionar, desde que sejam respeitadas as regras trabalhistas e seja garantida aos funcionários a possibilidade de exercer o direito ao voto.
A possibilidade de funcionamento do comércio no dia da eleição, com garantia de condições para que os trabalhadores possam votar, também consta no calendário eleitoral do TRE-PR.
Cristiane afirmou ainda durante a entrevista que não haverá lei seca neste pleito.
Ao encerrar, a promotora orientou os eleitores a aproveitar os últimos dias antes da votação para conhecer melhor os candidatos antes de fazer suas escolhas.
Entrevista concedida ao jornalista Robson Muniz em 01/10/2026.
Redação Palotina 24 Horas
Reprodução permitida desde que seja mantido o crédito ao Palotina 24 Horas.