Representantes de 34 municípios participaram nesta sexta-feira (4) do Capacita Fauna, realizado na Universidade Federal do Paraná (UFPR) – Setor Palotina. A capacitação prepara servidores e profissionais para o manejo seguro de animais silvestres e busca organizar um fluxo regional de atendimento às ocorrências.
O encontro também reuniu representantes de oito regionais do Instituto Água e Terra (IAT), Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Ambiental e Defesa Civil. Entre os temas estão a definição de quem deve ser acionado em cada situação, técnicas de captura, transporte e o encaminhamento adequado dos animais após o resgate.
Manejo seguro
Idealizador do projeto, o professor Anderson Luiz de Carvalho explicou que a proposta é preparar as equipes tanto para ocorrências mais complexas quanto para situações frequentes nos municípios.
“A ideia é justamente treinar tanto para essas questões mais complexas, como a captura de uma onça, como de outros animais que são mais fáceis de serem manejados, mas que ocorrem com uma frequência muito maior”, explicou.
Segundo o professor, o serviço de atendimento a animais silvestres da UFPR já atua em mais de 20 municípios do Oeste do Paraná. Somente em Palotina, mais de 120 animais foram atendidos no ano passado.
Fluxo regional
O médico-veterinário do setor de Fauna do IAT, Pedro Camargo, destacou que um dos objetivos é integrar os órgãos que podem ser envolvidos nas ocorrências.
A capacitação busca definir previamente quais instituições devem ser acionadas, quem pode realizar o resgate e para onde cada animal deve ser encaminhado.
Entre as situações atendidas estão animais atropelados, vítimas de colisões, ataques e o aparecimento de espécies silvestres em áreas urbanas e rurais.
Camargo ressaltou ainda que nem toda ocorrência exige captura. Dependendo da situação, uma orientação técnica pode ser suficiente para evitar uma intervenção desnecessária.
Quando há necessidade de atendimento especializado, a UFPR também participa do processo com procedimentos de maior complexidade, incluindo cirurgias e reabilitação, buscando possibilitar o retorno dos animais à vida livre.
Trabalho preventivo
Para o diretor da UFPR – Setor Palotina, professor Wilson de Aguiar Beninca, o treinamento permite que as equipes estejam preparadas antes que uma ocorrência aconteça.
“É muito comum a gente só pensar nisso na hora que está acontecendo. O animal está na rua, está solto, está na propriedade, está ameaçando alguém. Quem vai capturar? Então nós estamos fazendo um trabalho preventivo”, afirmou.
Beninca também destacou o papel da universidade na transferência de conhecimento para os servidores e para a comunidade.
Orientação à população
O prefeito Rodrigo Ribeiro, que participou do encontro, afirmou que ocorrências envolvendo animais fazem parte da rotina dos serviços municipais e que a capacitação pode ajudar tanto no atendimento quanto na orientação aos moradores.
“Quem faz o primeiro contato com o animal é a população. É o morador da casa ou da propriedade onde o animal aparece. Depois ele comunica às autoridades, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, para que sejam tomadas as próximas medidas”, disse.
A orientação é que a população evite tentar capturar animais silvestres sem conhecimento técnico, principalmente espécies peçonhentas ou que possam oferecer risco.
Com a definição do fluxo regional, a proposta é também deixar mais claro quais órgãos devem ser procurados em cada situação, tornando o atendimento mais organizado e seguro para a população e para os animais.
Redação Palotina 24 Horas
Reprodução permitida desde que seja mantido o crédito ao Palotina 24 Horas.