A Hora do Café

Dia do Vizinho chega à 26ª edição em Palotina; veja como participar

Tradicional festa será realizada em 23 de agosto; grupos podem reunir vizinhos, familiares e amigos, com inscrições gratuitas até o dia 20

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Foto: Sarah Pessoa/Palotina 24 Horas

Uma das tradições populares mais conhecidas de Palotina, o Dia do Vizinho chega à 26ª edição reunindo moradores em torno da amizade, da convivência e da solidariedade. A programação será realizada em 23 de agosto, em ruas, residências e comunidades do interior.

As inscrições são gratuitas e seguem até o dia 20, mas a organização recomenda que os grupos façam o cadastro antecipadamente. Os coordenadores inscritos antes de 19 de agosto poderão participar do coquetel de lançamento, quando serão apresentadas as regras, orientações de segurança e informações sobre a organização das confraternizações.

 

Como surgiu

A história do Dia do Vizinho em Palotina começou em 1999, quando integrantes das antigas rádios Continental AM e Graúna FM conheceram uma iniciativa semelhante realizada em Concórdia, em Santa Catarina.

A proposta foi levada ao município e adaptada à realidade local. A primeira edição aconteceu em 2000, dando início a uma festa que ganhou as ruas, os bairros e as comunidades do interior.

A origem e o funcionamento do evento foram detalhados por Cleo Redivo, gerente da Clube FM Oeste 99.3, antiga Graúna FM, e da Rádio T 97.7, antiga Continental AM, durante entrevista ao jornalista Robson Muniz no A Hora do Café, nesta quarta-feira (5).

Segundo Cleo, a festa realizada em Concórdia já mobilizava moradores, empresas, entidades e órgãos públicos. O modelo inspirou a equipe de Palotina, que buscou parceiros, lideranças comunitárias e recursos para colocar a iniciativa em prática.

 

“A gente se inspira em modelagens, copia e transforma”, afirmou.

Entre as pessoas envolvidas nas primeiras conversas estavam profissionais das emissoras, empresários e representantes de entidades. Cleo lembrou especialmente a participação do comunicador Edivaldo Soares (in memoriam)  e de Roberto Villela na apresentação da proposta.

Grande adesão

A adesão surpreendeu desde as primeiras edições. A festa chegou a reunir aproximadamente 130 grupos e, em determinados anos, alcançou cerca de 150 inscrições na cidade e nas comunidades do interior.

 

“Nós começávamos às 7h e terminávamos às 17h. Eram seis repórteres nas ruas, cada um acompanhado por um fotógrafo, e fazíamos questão de passar por todos os grupos”, recordou.

Na época, sem redes sociais e aplicativos de mensagens, a mobilização era feita principalmente pelo rádio. Os interessados ouviam o convite durante a programação e procuravam pessoalmente as emissoras para fazer a inscrição e receber as orientações.

Tradição local

Com o passar dos anos, o Dia do Vizinho deixou de ser apenas uma iniciativa das emissoras e passou a fazer parte das tradições populares de Palotina.

A festa foi adaptada à estrutura do município. Enquanto em Concórdia alguns grupos ocupavam trechos maiores, em Palotina a organização passou a trabalhar normalmente com aproximadamente 100 metros de rua.

Além da área urbana, comunidades do interior também aderiram à programação. Em alguns locais, o Dia do Vizinho é realizado em pavilhões comunitários, com celebrações religiosas, almoços e venda de fichas.

Há grupos que participam desde as primeiras edições e mantêm a confraternização como um compromisso anual entre moradores, familiares e amigos.

Calendário oficial

A iniciativa também passou a integrar o calendário oficial do município. Em 2025, as emissoras receberam uma moção de aplausos da Câmara Municipal pela realização do evento.

Para Cleo, o reconhecimento é compartilhado com os coordenadores, responsáveis por mobilizar os grupos e manter a tradição ao longo dos anos.

 

“São eles que fazem acontecer, que não desistem e persistem em juntar as pessoas”, afirmou.

Novos hábitos

O número de grupos diminuiu após a pandemia. Durante o período de restrições, a organização manteve a comemoração em formato adaptado, com famílias celebrando dentro das próprias casas e enviando registros para as emissoras.

Após a retomada das atividades presenciais, parte dos antigos coordenadores passou a relatar dificuldades para reunir os moradores.

Segundo Cleo, o isolamento e o aumento do tempo diante das telas e redes sociais contribuíram para reduzir o contato entre pessoas que vivem na mesma rua ou no mesmo bairro.

No ano passado, o Dia do Vizinho reuniu 35 grupos. Até a entrevista desta quarta-feira, mais de 15 inscrições haviam sido confirmadas para a edição de 2026. A expectativa da organização é novamente chegar a aproximadamente 35 grupos.

Apesar da redução em comparação com as primeiras edições, a organização afirma que a continuidade dos grupos tradicionais mantém a força da festa.

 

“Jamais vamos desanimar com o Dia do Vizinho”, declarou Cleo.

Desafios

Outro desafio é evitar que toda a organização e os custos fiquem concentrados em apenas uma pessoa.

A orientação é que os participantes dividam tarefas, despesas e a utilização dos espaços. Caso o grupo faça um churrasco, por exemplo, os custos podem ser rateados entre as famílias.

Para Cleo, uma confraternização maior pode se tornar acessível quando todos colaboram de maneira equilibrada.

Quem participa

Apesar do nome, o Dia do Vizinho não é restrito aos moradores da mesma rua.

Os grupos podem reunir familiares, amigos, colegas e convidados de outros bairros ou cidades. Também é possível participar com uma confraternização menor, realizada na garagem, no quintal ou dentro de casa.

Ao longo das edições, a festa já recebeu visitantes de Cascavel, Toledo, Guarapuava e Dois Vizinhos, além de familiares de moradores que vieram do Paraguai.

Pequenos grupos familiares também podem se inscrever e integrar oficialmente a programação.

Durante a entrevista, surgiu ainda a sugestão de apresentar a iniciativa aos moradores do Residencial Bem Viver, que reúne 1.028 casas e começou recentemente a receber as famílias.

Cleo afirmou que pretende visitar o residencial para divulgar a festa e estimular a integração entre os novos moradores.

O coordenador

Cada grupo deve escolher um coordenador, que será o principal contato entre os participantes e a organização do evento.

Cleo define o coordenador como o “gerente do grupo”. É a pessoa que conversa com os moradores, verifica quem deseja participar, ajuda a definir a programação e realiza a inscrição.

O coordenador também informa o local da confraternização, participa do coquetel preparatório e recebe as orientações que deverão ser repassadas aos demais integrantes.

 

“É ele que vai visitar os vizinhos, verificar quem tem interesse e organizar o que o grupo pretende fazer, seja um café da manhã, um almoço ou uma programação que siga até a noite”, explicou.

Segundo Cleo, o coordenador não assume sozinho a responsabilidade pelas condutas dos participantes. A função é representar o grupo, ajudar na organização e orientar sobre as regras de segurança e convivência, enquanto cada pessoa permanece responsável pelos próprios atos.

Para cadastrar uma confraternização em via pública, a organização solicita o nome e o CPF do coordenador, além do endereço onde a festa será realizada.

Festa na rua

Quando o grupo pretende utilizar uma rua, a organização das emissoras fica responsável por reunir os dados e solicitar a autorização aos órgãos competentes.

O coordenador não precisa procurar individualmente a Prefeitura, as forças de segurança ou o setor de trânsito para protocolar o pedido.

Depois de receber as informações, a organização encaminha a relação dos locais onde haverá interdição e comunica os órgãos envolvidos.

Durante o encontro dos coordenadores, também serão repassadas orientações sobre o uso das ruas, churrasqueiras, fogo, bebidas e comportamento dos participantes.

Os cuidados deverão ser compartilhados com todo o grupo antes e durante a confraternização.

Coquetel

O coquetel dos coordenadores será realizado em 19 de agosto.

O encontro servirá para apresentar as regras da edição, esclarecer dúvidas, repassar orientações de segurança e organizar as autorizações necessárias para os grupos que utilizarão vias públicas.

A programação também terá um momento de confraternização entre os coordenadores, troca de experiências e apresentação de sugestões para as próximas edições.

Embora as inscrições permaneçam abertas até o dia 20, a recomendação é que os grupos façam o cadastro antes do coquetel. Dessa forma, o coordenador poderá participar da reunião e receber antecipadamente todas as orientações.

Inscrição gratuita

Não há cobrança para inscrever um grupo no Dia do Vizinho. Os participantes arcam apenas com os custos da própria confraternização, como alimentação, bebidas, decoração ou aluguel de equipamentos.

Os coordenadores inscritos recebem uma camiseta personalizada, convite para o coquetel e um kit para compartilhar com o grupo.

Segundo Cleo, o kit deste ano deverá incluir produtos como farofa, pipoca e biscoitos oferecidos por empresas parceiras.

Durante o coquetel, também haverá sorteios de utensílios e outros prêmios que poderão ser utilizados nas confraternizações, em bingos ou brincadeiras entre os participantes.

No dia do evento, a equipe das emissoras percorrerá os locais cadastrados para entrevistar os coordenadores e registrar as comemorações em fotos, vídeos e entradas ao vivo.

Ação solidária

A edição de 2026 também terá uma campanha de arrecadação de brinquedos novos e usados em bom estado para as crianças.

A proposta surgiu depois de uma ação realizada na Domingueira do Lago, quando mais de 1,5 mil brinquedos foram arrecadados, mas a quantidade não foi suficiente para atender toda a demanda.

Cada brinquedo doado dará direito a um cupom para concorrer a uma cesta com mais de 100 trufas de chocolate.

As doações podem ser entregues nas emissoras e nos pontos de coleta disponibilizados por patrocinadores e parceiros da campanha.

A orientação é que os brinquedos sejam entregues preferencialmente até 23 de agosto, para que as doações sejam registradas durante o Dia do Vizinho.

A arrecadação deverá continuar por mais uma semana depois da festa. Os brinquedos serão distribuídos durante a programação do Dia das Crianças, em outubro, na Domingueira do Lago, em um espaço chamado “Vizinhos Solidários”.

Ao longo da história do evento, outras campanhas já arrecadaram alimentos, brinquedos e materiais recicláveis. Entidades como o Lar da Fraternidade, a Adefipal e a Ardefa estão entre as organizações já beneficiadas.

No ano passado, a mobilização resultou na entrega de aproximadamente uma tonelada de alimentos ao Lar da Fraternidade.

Como participar

As inscrições são gratuitas e permanecem abertas até 20 de agosto. O cadastro pode ser feito das seguintes formas:

  • Via formulário online — clique aqui
  • Pelo WhatsApp da Clube FM, no número (44) 3649-9930;
  • Presencialmente, procurando a equipe das emissoras para receber auxílio no preenchimento.

Mesmo com o prazo até o dia 20, a organização recomenda que a inscrição seja feita antes de 19 de agosto, para que o coordenador participe do coquetel, receba as orientações e confirme os detalhes da confraternização.

A 26ª edição do Dia do Vizinho será realizada em 23 de agosto.

Redação Palotina 24 Horas
Reprodução permitida desde que seja mantido o crédito ao Palotina 24 Horas.

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