O professor doutor Isac Rosset, da UFPR Setor Palotina, destacou nesta quarta-feira (22) a importância da ciência produzida dentro da universidade e explicou como pesquisas desenvolvidas no campus chegam ao cotidiano da população.
Segundo ele, estudos realizados em Palotina têm impacto em áreas como saúde, tecnologia, energia e formação de novos profissionais.
Coordenador do Laboratório de Modelagem Molecular, Rosset afirmou que o trabalho de um professor universitário vai além da sala de aula e envolve também pesquisa, extensão e gestão acadêmica.
Durante a conversa com o jornalista Robson Muniz, no quadro A Hora do Café, da Clube FM, ele detalhou as frentes de atuação da universidade e também falou sobre desafios, aplicações práticas da ciência e temas que despertam curiosidade, como a origem da vida.
Modelagem molecular
Ao explicar o trabalho do laboratório, Rosset disse que a modelagem molecular permite estudar átomos e moléculas por meio de simulações em computador, antes mesmo dos testes em laboratório.
Na prática, isso reduz tempo e custos no desenvolvimento de novos materiais e medicamentos.
“Nós estudamos processos atômicos e moleculares por simulações em computador. Conseguimos testar propriedades dessas moléculas, desses materiais e até de fármacos antes de levar para a bancada. Depois, pegamos os candidatos mais promissores e partimos para o teste real.”
Segundo ele, esse tipo de pesquisa pode ser aplicado em diversas áreas, especialmente na saúde.
Ciência básica e ciência aplicada
Rosset explicou que a ciência se divide, de forma geral, entre a produção de conhecimento, chamada de ciência básica, e a aplicação prática desse conhecimento, conhecida como ciência aplicada, que busca transformar estudos em soluções para a sociedade.
Um dos exemplos citados foi o uso de grafeno como suporte para transporte de medicamentos no organismo, com potencial para tornar tratamentos mais eficientes e reduzir efeitos colaterais.
Ele destacou ainda que a maior parte da produção científica brasileira está concentrada nas universidades públicas, que têm papel central no desenvolvimento do país.
Energia do futuro
Outro ponto abordado foi a produção de energia e os desafios do futuro, especialmente com o crescimento da tecnologia e da inteligência artificial.
Rosset explicou a diferença entre fissão e fusão nuclear e destacou a fusão como uma das principais apostas para as próximas décadas.
“A fusão nuclear é o mesmo processo que ocorre no Sol. Ela gera uma quantidade enorme de energia e não produz resíduos radioativos como a fissão. Eu sempre digo para os meus alunos que, sem dúvida, essa é a energia do futuro.”
Segundo ele, países como Estados Unidos, China e Alemanha estão mais avançados nessa área, enquanto o Brasil também desenvolve pesquisas, mas ainda enfrenta limitações.
Eventos em maio
Durante a entrevista, o professor também anunciou dois eventos voltados à divulgação científica e à aproximação com a comunidade.
O primeiro é o Pint of Science, marcado para 18 de maio, que leva pesquisadores para conversar com o público fora do ambiente acadêmico, em linguagem acessível.
O segundo é o Vem para a UFPR, previsto para 25 de maio, quando estudantes poderão visitar o campus, conhecer cursos, laboratórios e entender como funciona a universidade.
A proposta, segundo Rosset, é ajudar jovens na escolha profissional e mostrar, na prática, o que é desenvolvido dentro da instituição.
Ao final, ele incentivou o interesse pela ciência e destacou a importância do conhecimento em um mundo cada vez mais tecnológico.
“A sociedade é extremamente dependente da ciência e da tecnologia, mas conhece pouco sobre isso. Por isso, é importante que as pessoas busquem informação, tenham curiosidade e se aproximem da ciência.”
A entrevista também abordou temas ligados à inovação, energia e formação científica, reforçando o papel da universidade na produção de conhecimento e no desenvolvimento da sociedade.
Redação Palotina 24 Horas
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