A especialista em Clínica Médica Dra. Ayessa Bertoldi assumiu oficialmente a direção técnica do Hospital Municipal de Palotina. A transição foi planejada e conduzida pela cardiologista Dra. Sílvia Helena Costa, que permaneceu no cargo por cerca de 11 meses.
Em entrevista na manhã desta terça-feira (3) ao jornalista Robson Muniz, durante o programa matinal Bom Dia Clube, as médicas detalharam os desafios da gestão, explicaram o funcionamento do hospital porta aberta e anunciaram uma ampliação emergencial da estrutura para os próximos meses.
Segundo elas, mesmo com limitações físicas e dias de superlotação, o atendimento de urgência e emergência segue garantido.
Transição planejada
Sílvia afirmou que sua saída já estava prevista desde o início da gestão. Ela destacou que assumiu com metas definidas, entre elas a reestruturação do corpo clínico, organização do setor de compras e licitações e avanço em projetos estruturais.
“É um cargo que exige dedicação 24 horas. Cumpri os objetivos que tinha proposto e agora sigo na cardiologia”, afirmou.
A médica continuará atuando no hospital na especialidade e colaborando com o programa de educação continuada da unidade.
Ayessa, que já integrava a equipe desde 2021 na UTI e posteriormente assumiu a coordenação da enfermaria e do pronto-socorro, disse que o processo foi gradual.
“Foi uma construção. Primeiro entendi o funcionamento do hospital, depois os processos. Agora assumo com responsabilidade de manter e melhorar o que já foi feito.”
Porta aberta
O hospital de Palotina funciona como unidade porta aberta — ou seja, qualquer paciente pode procurar atendimento diretamente no pronto-socorro, sem necessidade de encaminhamento prévio.
De acordo com as médicas, a média é de pelo menos 120 atendimentos por dia, número considerado elevado para o porte do município.
Elas explicaram que casos simples, como curativos, retirada de pontos e sintomas leves de gripe, poderiam ser resolvidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), mas acabam sendo atendidos no hospital.
“O hospital está lá para urgência e emergência, mas resolve todas as demandas que chegam”, afirmou Sílvia.
Nos casos graves, como infarto, acidente ou pacientes baleados — situações citadas durante a entrevista — o atendimento é imediato, conforme a classificação de risco.
Obstetrícia regularizada
Um dos temas mais debatidos recentemente foi a escala da obstetrícia.
Ayessa confirmou que houve um período de transição, mas afirmou que a situação está regularizada. Atualmente, o hospital conta com quatro obstetras e apenas um dia na escala sem sobreaviso.
Ela ressaltou que a gestão exige RQE (Registro de Qualificação de Especialista), garantindo que os profissionais tenham titulação reconhecida.
Casos de gestação de alto risco continuam sendo encaminhados para hospitais com UTI neonatal, como o Hospital Bom Jesus, em Toledo, e o Hospital Universitário do Oeste do Paraná, em Cascavel.
Segundo as médicas, a lógica do SUS é regionalizada, e nem todos os serviços de alta complexidade são viáveis em cidades do porte de Palotina.
Ampliação emergencial
A direção confirmou que será feita uma ampliação emergencial da estrutura atual, enquanto avança o projeto de um novo complexo de saúde.
Entre as melhorias previstas estão:
- Nova sala vermelha para pacientes graves
- Ampliação do pronto-socorro
- Realocação da parte administrativa
- Novo espaço para farmácia
- Ampliação do refeitório
- Construção de vestiários e sanitários para funcionários
A expectativa é que as mudanças ajudem a desafogar o atendimento pelos próximos dois a quatro anos.
“Ninguém fica sem atendimento. Pode estar cheio, mas todos serão atendidos”, reforçou Sílvia.
40 mil atendimentos
Segundo dados apresentados durante a entrevista, o Hospital Municipal de Palotina realizou quase 40 mil atendimentos no último ano.
A ex-diretora técnica, Sílvia Helena Costa, ressaltou que o volume expressivo não é o único indicador relevante. De acordo com ela, o foco da gestão esteve na qualidade do atendimento, na resolutividade dos casos e na baixa taxa de reinternação — indicador que aponta eficiência no tratamento e segurança ao paciente.
“Atender muito é importante, mas o fundamental é saber como o paciente foi atendido e se o problema foi resolvido”, destacou.
Atualmente, a unidade mantém especialidades como pediatria, ginecologia e obstetrícia, cirurgia geral, cardiologia, neurologia, ortopedia, infectologia, nefrologia (com atuação na UTI) e psiquiatria.
Próximos passos
Ayessa afirmou que as prioridades nos primeiros 90 dias são:
- Continuidade das reformas estruturais
- Fortalecimento da educação continuada
- Valorização da equipe multiprofissional
Ela também destacou a importância de a população utilizar os canais oficiais de ouvidoria para reclamações e sugestões.
“Queremos evoluir sempre. O dia que acharmos que está tudo perfeito é porque já passou da hora de mudar”, disse.
Sílvia encerrou reafirmando que permanece no hospital como cardiologista e informou que a unidade participa de um projeto estadual que disponibiliza trombolítico para casos de infarto, medicamento usado para dissolver coágulos.
A nova direção assume com o desafio de manter o hospital como referência regional, enquanto aguarda os próximos passos para a construção de uma nova estrutura definitiva.
Redação Palotina 24 Horas
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