A hanseníase, doença antiga que ainda carrega estigmas e desinformação, continua presente em Palotina e exige atenção da população.
Em entrevista ao jornalista Robson Muniz, nesta terça-feira (20), a enfermeira da Vigilância em Saúde, Maristela Barbieri, destacou que o diagnóstico precoce é o principal fator para interromper a transmissão da doença e evitar sequelas graves.
Atualmente, o município acompanha três pacientes em tratamento, e a média histórica é de quatro a cinco novos casos por ano, o que classifica Palotina como área de alta incidência, conforme critérios do Ministério da Saúde.
A profissional reforça que, apesar dos avanços no tratamento, muitos casos ainda são identificados tardiamente, o que aumenta o risco de complicações irreversíveis.
O que é a hanseníase e como ocorre a transmissão
A hanseníase é uma doença infecciosa causada por um bacilo que atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. A transmissão ocorre pelas gotículas de saliva, eliminadas ao falar, tossir ou espirrar, especialmente em contatos próximos e prolongados, como no convívio domiciliar ou em ambientes fechados.
A doença não é transmitida por aperto de mão, abraço, uso de talheres, copos ou banheiros.
Após o início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a hanseníase, não sendo necessário isolamento social.
Sintomas que exigem atenção da população
Os sinais da hanseníase nem sempre causam dor, o que pode atrasar a procura por atendimento. Entre os principais sintomas estão:
- manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou acinzentadas na pele;
- áreas com perda de sensibilidade ao calor e ao frio;
- diminuição ou ausência de sensibilidade ao toque e à dor;
- queda de pelos sobre a mancha;
- ausência de suor na região afetada;
- dormência, formigamento ou queimaduras frequentes sem dor.
Diagnóstico é clínico e tratamento é feito pelo SUS
O diagnóstico da hanseníase é, principalmente, clínico, realizado por médico a partir da avaliação da pele e dos nervos. Em alguns casos, exames complementares como baciloscopia ou biópsia de pele podem ser solicitados.
O tratamento é feito com antibióticos fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pode durar 6 meses, nos casos mais leves, ou 12 meses ou mais, quando há maior número de lesões ou comprometimento dos nervos.
Durante todo o período, o paciente é acompanhado pelas equipes de saúde.
Avaliação dos contatos e uso da vacina BCG
Quando um caso de hanseníase é confirmado, a Vigilância em Saúde realiza a avaliação de todos os contatos próximos, como moradores da mesma casa e pessoas com convivência frequente.

Foto: Sarah Pessoa / Palotina 24 Horas
Esses contatos são acompanhados anualmente por, no mínimo, cinco anos, para identificar precocemente qualquer sinal da doença.
Diagnóstico tardio pode causar sequelas permanentes
Quando não tratada a tempo, a hanseníase pode evoluir para formas graves, com incapacidades físicas irreversíveis, como:
- mãos em garra;
- pé caído;
- perda de força muscular;
- dificuldade para caminhar, segurar objetos ou realizar atividades básicas do dia a dia.
Segundo a enfermeira, essas sequelas são preveníveis quando o diagnóstico ocorre de forma precoce.
Janeiro Roxo reforça alerta, mas atenção deve ser o ano todo
Embora o Janeiro Roxo seja o mês de conscientização, Maristela ressalta que a hanseníase não é uma doença sazonal.
“O mês serve para lembrar a população e também os profissionais de saúde, mas o trabalho de orientação, busca ativa e diagnóstico precisa acontecer durante todo o ano”, afirma.
Onde procurar atendimento
A porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde. Ao perceber qualquer mancha na pele, com ou sem perda de sensibilidade, a orientação é procurar o posto de saúde mais próximo para avaliação.
Redação Palotina 24 Horas
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