Na manhã de 11 de setembro de 2001, eu morava em Curitiba. Era uma manhã normal de trabalho e eu estava começando um pequeno negócio quando fui chamado pelo segurança da galeria para acompanhar, pela televisão, as primeiras notícias sobre o que estava acontecendo nos Estados Unidos. Pouco depois, vi ao vivo o segundo avião atingir a segunda torre do World Trade Center. Assisti àquelas imagens em estado de choque, assim como milhões de pessoas ao redor do mundo. Naquele momento, parecia que o mundo havia mudado diante dos nossos olhos. O medo tomou conta de todos, e os efeitos daquela tragédia ultrapassaram fronteiras, chegando também à economia e à vida cotidiana de pessoas comuns. Meu pequeno negócio, como tantos outros, também sentiu os reflexos daquele período de incertezas. Foi uma demonstração de como, em um mundo globalizado, atos de extremismo praticados em um determinado lugar podem atingir pessoas que estão a milhares de quilômetros de distância e que nada têm a ver com o conflito.
Mas como alguém chega ao ponto de considerar aceitável matar inocentes em nome de uma causa? O extremismo nasce, muitas vezes, quando o ódio, seja ele político, religioso, étnico ou de qualquer outra natureza, constrói uma narrativa mental na qual o outro deixa de ser visto como ser humano e passa a ser tratado como inimigo. A pessoa radicalizada passa a acreditar que possui uma verdade absoluta e que qualquer violência pode ser justificada para defendê-la. Em muitos episódios da história, motivos religiosos são utilizados como pano de fundo para ações que, na verdade, representam uma profunda distorção dos próprios valores que dizem defender. O mais grave é que os extremistas raramente percebem que acabam se colocando no lado oposto daquilo que afirmam proteger. E, ao agir dessa maneira, não prejudicam apenas seus adversários: atingem também milhões de pessoas comuns que pertencem à mesma religião, comunidade ou grupo e que jamais aprovariam a violência. O extremismo transforma diferenças em inimigos e acaba punindo justamente quem nada tem a ver com suas escolhas.
Vinte e cinco anos depois, a lembrança do 11 de Setembro continua sendo também um alerta para nós, inclusive no Brasil, onde temos testemunhado outras formas de extremismo, especialmente no campo político. Em uma democracia, é natural que existam divergências, disputas e diferentes projetos de país. O problema começa quando o adversário deixa de ser alguém com uma opinião diferente e passa a ser tratado como inimigo que precisa ser destruído. Em nossas eleições, vemos candidatos de diferentes posições, mas ainda são raros os discursos verdadeiramente voltados ao apaziguamento, à redução das tensões e à construção de pontes. Talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores lições do 11 de Setembro: nenhuma sociedade ganha quando o ódio vence o diálogo. A velha máxima de que “os extremos se tocam” continua atual. E, quando o extremismo passa a justificar a intolerância, a desumanização ou a violência, pouco importa de que lado ele venha: se você é um extremista, você está errado.